As semanas seguintes ao amanhecer perfeito passaram como uma maré suave.
Clara e Henrique caminhavam entre reuniões com fornecedores, provas de cardápio, visitas à vinícola onde se casariam, telefonemas da família e noites tranquilas que terminavam sempre com os dois abraçados, adormecendo como quem finalmente encontrou o lugar certo no mundo.
Tudo parecia encaixado demais.
Bom demais.
Quase cinematográfico.
E foi justamente por isso que o impacto veio tão forte.
Era uma tarde de terça-feira quando o telefone de Clara começou a vibrar no bolso, incessantemente. Ela estava revisando amostras de decoração na empresa quando percebeu que havia mais de quinze notificações do mesmo grupo:
“Casamento Clara & Henrique – Organização”
O coração dela deu um salto.
Clara abriu o grupo.
E a primeira foto que apareceu fez seu estômago afundar.
Era a vinícola.
Ou melhor, o que havia sobrado dela.
Cinzas.
Estrutura queimada.
Funcionários chorando.
Carros de bombeiros.
Árvores torradas.
O cenário inte