A notícia do incêndio, inevitavelmente, chegou à família Vasconcelos antes mesmo que Clara e Henrique tivessem tempo de se preparar para isso.
Quem ligou primeiro foi Mariana.
Depois, meia hora mais tarde, veio a mãe dele.
E por último — mas com o maior impacto — o pai.
Era uma noite fria, e Clara estava no sofá, enrolada em uma manta, tentando se distrair com um livro que ela já tinha lido três vezes, mas que naquele momento não conseguia absorver.
Henrique estava no escritório, revisando relatórios da equipe particular de investigação.
De repente, o tom de voz dele aumentou.
Não era grito.
Era o tipo de firmeza explosiva que ele só usava quando a família exigia mais do que tinha direito.
Clara fechou o livro devagar.
Ela conhecia aquele tom.
Levantou-se e caminhou silenciosamente até o escritório. A porta estava entreaberta.
Henrique estava em pé, de um lado da mesa, com o celular na mão, e o pai dele falava do outro lado da linha com uma irritação tão clara que preenchia o ambiente