Clara acordou antes do despertador.
Não de ansiedade.
Não de medo.
Mas de uma sensação estranha, poderosa, quase física:
pela primeira vez em muito tempo, ela queria voltar.
Queria entrar naquele prédio que já tinha significado tudo — e que tentaram transformar em ruína.
Mas agora, ela voltava triunfante.
Henrique estava sentado na beira da cama, já pronto. Terno escuro, perfume discreto, expressão suave.
Ele a observou despertar com um sorriso pequeno — daqueles que não anunciam nada, mas dizem tudo.
— Bom dia, futura Sra. Vasconcelos — ele brincou, baixinho.
Clara sorriu, ainda deitada.
— Bom dia, meu amor.
Henrique se inclinou e beijou sua testa, como se aquilo fosse o ritual de proteção diária.
— Hoje vai ser um dia importante — ele disse.
— Eu sei — respondeu ela, inspirando fundo. — Mas tô preparada.
— Você nasceu preparada.
Ele deu um passo atrás e abriu espaço para ela levantar.
— Se quiser, eu vou com você.
Clara ergueu o olhar para ele. Havia tanta devoção ali que parecia qu