Clara pintava devagar.
Era fim de tarde em Beacon, e o sol se dissolvia nas copas das árvores do outro lado da janela.
No ateliê improvisado, a tela diante dela exalava cor e silêncio. Nenhuma figura nítida. Só camadas.
Como camadas dela mesma.
O verde que usava era mais escuro do que o habitual.
Quase um musgo profundo, com pequenas interrupções em dourado.
Como se seu inconsciente pintasse raízes, tempo, memória enterrada — mas ainda viva.
Sol passou pela porta do cômodo, mas não entrou. Fico