Capítulo 34

Clara pintava devagar.

Era fim de tarde em Beacon, e o sol se dissolvia nas copas das árvores do outro lado da janela.

No ateliê improvisado, a tela diante dela exalava cor e silêncio. Nenhuma figura nítida. Só camadas.

Como camadas dela mesma.

O verde que usava era mais escuro do que o habitual.

Quase um musgo profundo, com pequenas interrupções em dourado.

Como se seu inconsciente pintasse raízes, tempo, memória enterrada — mas ainda viva.

Sol passou pela porta do cômodo, mas não entrou. Fico
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