O camarim estava cheio, cada canto ocupado por meninas rindo alto, ajeitando roupas curtas demais, checando o reflexo no espelho manchado. Era a rotina de todas as noites, sempre igual e, ao mesmo tempo, imprevisível.
Sentei-me diante do espelho com a mesma expressão de sempre: calma forçada, mas dentro de mim tudo pulsava em outra frequência. Abri a nécessaire e comecei a preparar a pele, pincel após pincel, como se pudesse pintar outra versão de mim, uma que aguentasse a madrugada.
— Você