Cheguei ao prédio já com o corpo cansado, o cheiro de cigarro e café velho grudado na roupa, marcas de mais um dia na delegacia. O sol se despedia atrás dos prédios, tingindo o céu de um laranja gasto, e tudo que eu queria era um banho e silêncio. Mas quando dobrei a esquina do corredor, vi alguém que me fez parar.
Dona Lurdes.
A velha faxineira do prédio.
Eu não a via desde antes de Manu desaparecer. Sempre com o avental florido e o lenço preso na cabeça, varria o corredor e sabia da vida de t