Capítulo 46: Roger Delavega

Cheguei ao prédio já com o corpo cansado, o cheiro de cigarro e café velho grudado na roupa, marcas de mais um dia na delegacia. O sol se despedia atrás dos prédios, tingindo o céu de um laranja gasto, e tudo que eu queria era um banho e silêncio. Mas quando dobrei a esquina do corredor, vi alguém que me fez parar.

Dona Lurdes.

A velha faxineira do prédio.

Eu não a via desde antes de Manu desaparecer. Sempre com o avental florido e o lenço preso na cabeça, varria o corredor e sabia da vida de t
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