Mundo ficciónIniciar sesiónGabriela só queria uma noite tranquila, mas tudo muda quando aceita acompanhar a amiga numa festa misteriosa. O que era para ser só uma balada vira um mergulho profundo no submundo da máfia italiana no Rio de Janeiro. Lucas Falcone, o herdeiro tatuado de um império criminoso, surge como um convite ao perigo — e ao prazer. Ele promete o mundo. Ela quer muito mais que isso. Entre sedução, poder, armas e segredos, Gabriela se vê presa numa rede onde a lei não vale e o desejo é quem dita as regras. Quando o pecado tem olhos verdes e tatuagens orientais, resistir não é uma opção.
Leer más- Vamos, Gabi. Vai ser legal! – Paula era definitivamente minha amiga mais louca, não sei porque resolvi dar ideia nela no fim de semana, para morrer provavelmente. Ela já estava pronta na porta da minha casa enquanto eu estava de pijamas ainda.
Meu plano naquela noite não era sair, mas sim ficar em casa, Paula tinha me mandado mensagem algumas horas antes me chamando pra ir numa boate chamada Falcone. Eu podia jurar que aquilo lá era um tipo de puteiro pelo nome, mas ela me jurava que era um lugar legal com um clima diferente.
- Ah, eu não sei se... – Tentei argumentar, mas ela começou a me empurrar para dentro do apartamento, eu sabia que a intenção dela era me arrumar para sairmos, mas eu não tinha muita certeza se aquela ia ser uma boa ideia. Eu estava com uma sensação estranha.
Não era nem boa nem ruim a sensação, era só o aviso que algo ia acontecer, o que era esse tal algo eu não tinha a mínima ideia. Confesso que eu era conhecida por ser aquele tipo de pessoa que era cautelosa e prudente, mas Paula era meu oposto nesse sentido.
E por isso eu não gostava muito de sair com ela.
***
Depois de uma hora me arrumando eu parecia pronta para aquela aventura noturna, eu tinha certeza que ela tinha me chamado porque eu era a última pessoa disponível e tinha dificuldade de dizer não.
Todo mundo já tinha dado um jeito de despistar a Paula, menos eu.
Que falha.
Ela tinha inclusive se metido a me maquiar e arrumar o meu cabelo, o que me deixou incrivelmente com cara de piranha. Tive até que escolher uma roupa condizente com o que ela havia aprontado. Uma saia lápis e um cropped preto. Não era o tipo de roupa que eu gostava de usar normalmente para sair a noite.
Eu era mais tranquila num dia comum.
Saímos pela rua, o Falcone ficava próximo a minha casa, coisa de duas esquinas, fomos andando e eu percebi que as pessoas nos olhavam fixamente. Apesar de eu ser uma mulher considerada tranquila eu morava num bairro bastante agitado, com muitas boates e bares.
Não tinha nada a ver comigo, mas foi onde encontrei um bom apartamento para reformar, então fiquei por ali mesmo.
Eu odiava chamar a atenção e ter aqueles olhares em cima de mim me deixava bem desconfortável, eu gostava de ser a mais discreta possível no dia-a-dia, odiava chamar a atenção e me ver tão arrumada como naquela noite e atraindo tantos olhares me deixava completamente desnorteada.
O Falcone era uma boate discreta, como qualquer outra, parecia uma mansão tropical na verdade, a única coisa que deixava claro que era uma boate eram as luzes roxas e verdes na frente do local e o neon que dizia Falcone com uma imagem de um falcão.
O segurança nos olhou de cima a baixo e pediu nosso nome. Paula deu seu nome completo e disse que tinha direito a uma companhia feminina. Aquilo me soou estranho, afinal eu tinha visto Salve Jorge.
Paula era meio doida então eu fiquei com receio dela estar me aliciando para algum tipo de tráfico humano. Comecei a imaginar uma série de coisas que poderiam fazer comigo ali dentro e isso me ligou o alerta de não deixar minha bebida de bobeira nem perder a mesma de vista em nenhum momento.
Meu corpo enrijeceu e enquanto ela me levava para dentro da boate não conseguia parar de pensar que eu poderia ser sequestrada ou morta a qualquer momento. Ou quem sabe não acontecesse comigo o mesmo que aconteceu com Mari Ferrer. Eu tinha que ter muito, muito, muito cuidado.
A entrada passava por um corredor com panos brancos organizados como cortinas, andamos por menos e um minuto até chegar a pista. Era um local aberto com uma piscina no meio. Nesse momento tocava Sad Girlz Luv Money da Amaarae com a Kali Uchis, haviam muitos homens, todos com cara de ter muito dinheiro e mulheres que pareciam ter saído das capas de revista.
Fiquei meio acuada, nesse momento esqueci que tinha medo de ser traficada e só consegui me comparar aquelas mulheres. Não era do tipo que saía para beijar gente na balada, inclusive eu nem queria sair naquela noite, já tinha passado da fase.
Gabriela Pissatto, 27 anos, advogada criminalista, essa era eu sob a luz do dia. Apesar do trabalho levemente perigoso minha prudência sempre estava ao meu favor. Eu não era nada demais, inclusive não tinha grandes aspirações.
- Paula... – Eu ainda estava meio abismada com a vista que eu estava tendo.
- Oi, amiga. – Ela disse enquanto provavelmente procurava o vape na bolsa. Ela era meio viciada nessa merda.
- Essa festa é open bar? – Tudo que eu pensava era em tomar um pouco de coragem líquida, sentar em algum lugar e ficar a noite inteira enquanto Paula procurava alguma diversão para levar pra casa no fim da noite.
- É, porque? – Ela perguntou já com o cigarro eletrônico na boca e mexendo no celular, provavelmente não prestaria a atenção em mim mesmo que eu perguntasse qualquer outra coisa. Desviei o olhar dela e olhei ao meu redor.
O que eu estava fazendo naquela festa?
Com certeza era algum tipo de emboscada.
- Como você conseguiu convite para isso? – Ainda embasbacada resolvi olhar sério para minha amiga, que antes que eu tivesse uma resposta decente de seus lábios a própria visão que eu estava tendo me respondeu. Ela estava abraçando uma mulher e cumprimentando o parceiro dela.
Baixei um pouco a guarda nesse momento.
Paula estava há alguns anos tentando decolar sua carreira de cantora, ela cantava blues e soul, achava que seria um fenômeno de vanguarda, mas ela esqueceu que Amy Winehouse já tinha feito isso quase quinze anos antes.
Então ela se embrenhava em alguns cantos na esperança de decolar, ela provavelmente conseguiu o convite com alguém que era amigo de alguém e aquela festa provavelmente tinha alguma coisa a ver com famosos.
Fui andando até o bar e olhei o pequeno cardápio sobre o balcão não havia preço ao lado das opções de bebida e era um cardápio relativamente extenso. Muitas opções. Normalmente eu pediria um Sex On The Beach, mas naquela ocasião escolhi uma caipirinha e pedi para capricharem na cachaça.
Com Paula fazendo networking eu poderia me sentar em algum lugar e ficar me embebedando até uma hora sentir vontade de ir ao banheiro, me levantar e ver tudo rodando. Uma maravilha!
Eu confesso que estava distraída com a barmaid fazendo a bebida que nem percebi quando um homem incrivelmente alto parou ao meu lado, ele era forte também, mas seco. Seu corpo era coberto de tatuagens, desciam do pescoço pelos braços. Ele vestia uma camisa social branca e calças jeans, como eu não conseguia ver suas pernas comecei a me perguntar se ele tinha tatuagem nas pernas também.
Suas tatuagens eram todas orientais, como se ele fosse um membro da Yakuza.
Recebemos notícias do primo de Lucas, o Matteo. Graças ao meu álibi ele foi inocentado.Estávamos no salão dos Falcone para falar sobre isso.Stefano estava com um sorriso aberto no rosto, lendo a papelada.Vitor e os gêmeos estavam numa mesa jogando baralho, Lucas estava atrás de mim, com um sorriso, corpo ereto e mãos para trás.— Muito bem, Serpente. Um trabalho bem executado. — Sorri, nunca nenhum cliente havia agradecido pelo meu trabalho. Já havia feito trabalhos de inocentar pessoas sim, pessoas sem condições, pessoas que estavam presas injustamente, pessoas que nunca tiveram olhares voltados a elas.Mas eles não me elogiaram, o elogio foi ver uma mãe ou uma esposa abraçando o filho inocente após ele sair da cadeia. Porém palavras de fato eu nunca tinha escutado.Era a primeira vez.
Eu sabia que eu estava olhando para o meu apartamento pela última vez por um bom tempo. Aquele era um apartamento próprio, havia herdado do meu pai, mas tinha tirado tudo que remetia a ele.Nas paredes onde costumava a ter camisas históricas do Botafogo emolduradas e penduradas, agora tinham posteres de filmes que eu gostava, eram 3 acima do sofá: 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, O Diário da Princesa e Uma Linda Mulher.O sofá era pequeno azul marinho, de dois lugares, estilo vintage, as paredes eram um tom de azul bebe. A cozinha era americana e eu costumava a trabalhar na mesa de jantar, estava cheia de papeis dos processos que eu estava trabalhando ainda.Fui até meu quarto, abri o armário embutido branco e subi nas prateleiras até alcançar a enorme mala de viagem que eu tinha comprado pensando no dia que eu fosse para a Europa.Nunca havia ido, não tive nem tempo nem dinheiro.Minhas economias haviam ido embora na tentativa de salvar meu pai, ele não tinha plano de saúde, nunca lig
No dia seguinte eu só queria ir embora, estava ressaqueada da perseguição do dia anterior. Não queria mais sentir emoções tão fortes, estava com medo de continuar em São Paulo e acabar morrendo.Além disso, acordei abraçada em Lucas.Não sabia o que pensar sobre isso também.Enquanto minha mente divagava eu estava no restaurante do hotel tomando café da manhã. Meus olhos estavam travados enquanto eu comia um pão de queijo lentamente.— Tá tudo bem? — A voz de Lucas fez com que eu sacudisse a cabeça e olhasse para ele, eu deveria ter viajado bonito naquele momento, viajado bonito.— Tá eu só… Quero voltar pra casa. — Minha voz saiu embargada, parecia uma criança pedindo pela mãe. Lucas me olhou com dó. Ele havia sido criado para ser endurecido, para resistir as maiores pressões, as maiores crueldades.Até pouco tempo atrás eu apenas ouvia histórias escabrosas, não as vivia.Tudo era assustador para mim.— Podemos ir, meu bem. — Ele segurou minha mão nesse momento, eu apertei sua mão pe
Resolvemos comer no hotel, pedir serviço de quarto, já havia sido adrenalina demais para um dia só.— Tem como trazer um cabernet? — Ouvi Lucas falar no telefone enquanto eu saía do banho — Isso, do melhor que vocês tiverem.Assim que ele desligou do telefone, eu o encarei sem entender.Meu coração estava acelerado ainda. Eu precisava de um Rivotril, um Valium, qualquer coisa do tipo.— Vinho? — Ele acenou com a cabeça, eu estava apenas de roupão, Lucas veio em direção a mim ele estava relaxado, como se tivesse acabado de ter um dia normal.— É.Ele me segurou daquele jeito que eu gostava, pelo maxilar, me fazendo encarar seus olhos com de rio.— Por que? — Perguntei sem entender exatamente porque ele estava querendo beber vinho às 14h, depois de matar 4 pessoas e eu duas. Nunca tinha matado ninguém, já tinha sentido vontade quem nunca pensou “eu vou matar aquela vagabunda?”, mas nunca tinha feito isso de fato.Nunca tinha tido coragem.Mas hoje era ou eles ou eu.Ele soltou meu maxil
Ainda mais com cara de canalha.Nossos rostos estavam colados, a ponta dos nossos narizes estavam próximas, eu ainda estava totalmente vermelha de vergonha.— Eu não vou te julgar, nem vou me sentir o fodão por isso. Estamos quase chegando aos 30, isso já passou. — Acenei positivamente com a cabeça. Ele sorriu, me segurou pela cintura, se aproximando ainda mais de mim e me dando um selinho. — Tá tudo bem, tá? Eu acho que te deixei com gostinho de quero mais mesmo. — Continuei em silêncio, era verdade o que ele dizia.— Vou te deixar em paz terminando de arrumar as coisas. Nosso voo é as dez. — Nessa hora eu desacelerei, achei que estava mais em cima da hora. Enquanto eu arrumava as coisas Lucas sentou-se na poltrona do meu quarto. Demorei um pouco, ma logo fiquei pronta.Pelo que combinamos, inicialmente ficaríamos 3 dias lá, para ter certeza que tudo ocorreria bem, o primo dele estaria livre da acusação e eu poderia partir pro próximo caso, afinal esses Falcone viviam se metendo em c
Quando eu voltei para casa minha porta estava arrombada. Comecei a entrar em desespero, entrei correndo, completamente nervosa pensando no meu notebook e celular que tinham ficado lá. Mas para minha surpresa havia um Lucas sentado com cara de enfezado, segurando meu celular com a ponta dos dedos e me encarando. — Você nunca mais faça isso, Gabriela. — Sua voz era firme, brava, mas sem aumentar o tom. — E você nunca mais arrombe a porra da minha porta! — Eu gritei. — Tem algum lugar que a gente possa conversar em particular? — Ele continuou com o mesmo tom de voz. — Se você não tivesse arrombado minha porta teríamos. — Eu estava revoltada, ele simplesmente tinha colocado toda minha segurança em jogo porque eu havia simplesmente sumido. — Eu mando um cara consertar isso agora para você dormir tranquila, deixo o Vitor aqui cuidando de tudo enquanto você me explica esse sumiço. — Ele mandou um áudio para o irmão nesse momento dizendo “pode subir” em italiano. Parece que meu sumiço





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