Capítulo 20
Dante Guimarães
Helena tinha passado a noite inteira acordada. Eu sabia. Ela tentava disfarçar, mas os olhos entregavam, não era cansaço, era outra coisa. Algo que fervia nela como um motor prestes a explodir.
E isso… eu entendia bem.
— Vem — falei, abrindo a porta lateral do galpão.
Ela me olhou como quem procura chão, mas entrou.
O espaço era amplo, silencioso, e o cheiro de pólvora adormecida preenchia o ar. Peguei a arma sobre a bancada, descarregada, e entreguei a ela com cuidado.
— Hoje você vai aprender o básico. A se defender, a atirar… e a nunca mais tremer diante de quem tentou te quebrar.
Os dedos dela hesitaram antes de tocar o metal. Mas tocaram.
— Pega assim — ajustei a mão dela, firme, sem brusquidão. — Dedos juntos, postura reta. Quem olha pra você precisa ver força antes mesmo de você abrir a boca.
Ela respirou fundo, tentando imitar a minha postura.
— Isso — murmurei perto do ombro dela. — Ombros pra trás. Mente erguida. Aqui… — toquei sua lombar com dois