Capítulo 19
Helena Baldin
Depois de todas essas descobertas, depois de reconhecer ainda mais o monstro com quem vivi uma vida, fui para meu quarto. Eu precisava ficar sozinha. Precisava respirar, ou tentar.
Peguei meu celular e fui até o lugar onde minha dor ainda morava. A única foto… a única coisa que sobrou do que me fazia querer estar viva. Meu pequeno Henrique.
A luz dele ainda ilumina minha vida, mesmo tendo me deixado tão cedo. Foi a única coisa boa que Eduardo me deu e nem isso ele conseguiu deixar intacto.
Segurei o celular com força, como se a tela pudesse me devolver algo. A imagem dele sorrindo… aquele sorriso sem dente, aquele olhar que parecia me procurar pela casa toda. Quando fechei os olhos, a lembrança veio como um soco, como se tivesse acontecido ontem.
Eu lembro da manhã como se fosse um filme estragado, cheio de falhas, cortes que não fazem sentido.
Henrique tinha apenas seis meses. Um bebê. Meu bebê.
Acordou choramingando baixinho, daquele jeito manhoso que eu se