A casa estava silenciosa demais para o horário.
As luzes da sala estavam apagadas. Só o abajur do corredor deixava tudo em tons suaves, quase íntimos demais para quem queria neutralidade.
Entrei devagar, tirando os sapatos para não fazer barulho — hábito antigo de quem aprendeu a não anunciar chegada.
Mas ele já sabia.
Pedro estava ali.
Encostado no batente da sala, braços cruzados, camisa ainda do dia, expressão fechada de quem não conseguiu relaxar. Não parecia ter acabado de chegar.
Parecia