CAPÍTULO 214

A sala já não tinha mais a tensão do começo, só o cansaço que vem quando alguém é obrigado a repetir a própria história até ela perder o brilho. Mena estava afundado na cadeira, algemas marcando os pulsos, olhar duro, mas menos inflamado. Herrera ligou o gravador outra vez, colocou o bloco à frente e recomeçou.

— Você já explicou o ódio, Esteban — disse. — Pai morto em acidente, mulher e bebê no mesmo dia, culpa jogada em cima de nomes convenientes. Isso está registrado. O que falta é simples: quem te deu as listas.

Mena virou o rosto, como se estivesse farto da pergunta.

— Eu via a vida deles — resmungou. — Mesma destilaria, mesma clínica, mesmo sobrenome nas reuniões. Não precisei de ninguém me dizendo quem merecia cair.

— Estrada mostra rotina — Herrera retrucou. — Não mostra ata de conselho, nem quem votou para empurrar o caminhão do seu pai ladeira abaixo. Você não teria acesso a histórico de votação, escala de médico, rota de enfermeira. Isso veio de dentro. De alguém que sabia
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