Camila ainda estava na sala, na mesma ponta do sofá, quando ouviu a porta lateral fechar. O telefone descansava ao seu lado, o ventre sob a palma da mão, numa vigilância que misturava estrada, sirenes imaginadas e o barulho do próprio sangue. Quando Rafael entrou, com o casaco aberto e o rosto tenso, ela soube que a parte da operação que envolvia asfalto tinha acabado, mas a que envolvia passado estava só começando.
Ingrid veio da cozinha, secando as mãos.
— Ele está vivo — Rafael disse, parando diante das duas. — Mena foi preso. Ninguém da nossa equipe morreu.
O alívio subiu, mas não chegou a virar descanso. Camila sentiu, com nitidez, o espaço onde a próxima frase ia cair.
— E o que ele disse? — ela perguntou. — Continuou se achando um justiceiro ou resolveu falar como gente?
Rafael respirou fundo.
— O que ele contou muda a forma como você olha para o acidente do seu pai — respondeu. — E liga o que está acontecendo agora ao que o Arturo fez lá atrás.
Ingrid hesitou, meio caminho ent