CAPÍTULO 213

Levaram Mena algemado para uma sala do outro lado do pátio, antiga sala de crise. O cheiro de diesel ainda vinha da jaqueta quando o sentaram à mesa de metal, as mãos presas à argola fixada no tampo.

Herrera dispensou curiosos. Ficou apenas com um agente na porta e o gravador no centro da mesa, a luz vermelha acesa.

— Nome completo — pediu.

Mena encarou o aparelho, como se achasse tudo uma encenação inútil.

— Você sabe o meu nome — resmungou. — Está nos bilhetes, nos relatórios, nos pesadelos da família do seu patrão.

— Eu sei — Herrera respondeu. — Mas quero ouvir da sua boca.

O caminhoneiro respirou fundo, como quem recolhe uma dor antiga.

— Esteban Mena — disse. — Filho de Esteban Mena, viúvo de Maria de los Ángeles, pai de um bebê que nunca respirou. Satisfeito?

Herrera anotou no bloco.

— É um começo — falou. — Agora explica por que resolveu transformar a estrada em palco do seu luto.

Mena deu de ombros, as algemas tilintando.

— Quando um caminhão explode por causa de decisão de c
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