Levaram Mena algemado para uma sala do outro lado do pátio, antiga sala de crise. O cheiro de diesel ainda vinha da jaqueta quando o sentaram à mesa de metal, as mãos presas à argola fixada no tampo.
Herrera dispensou curiosos. Ficou apenas com um agente na porta e o gravador no centro da mesa, a luz vermelha acesa.
— Nome completo — pediu.
Mena encarou o aparelho, como se achasse tudo uma encenação inútil.
— Você sabe o meu nome — resmungou. — Está nos bilhetes, nos relatórios, nos pesadelos da família do seu patrão.
— Eu sei — Herrera respondeu. — Mas quero ouvir da sua boca.
O caminhoneiro respirou fundo, como quem recolhe uma dor antiga.
— Esteban Mena — disse. — Filho de Esteban Mena, viúvo de Maria de los Ángeles, pai de um bebê que nunca respirou. Satisfeito?
Herrera anotou no bloco.
— É um começo — falou. — Agora explica por que resolveu transformar a estrada em palco do seu luto.
Mena deu de ombros, as algemas tilintando.
— Quando um caminhão explode por causa de decisão de c