O caminhão isca reduzia devagar enquanto a carreta de Mena se atravessava na pista alguns metros à frente, formando uma barreira torta de metal. O motorista do comboio segurou o freio até o limite e o conjunto parou com um balanço pesado, os pneus chiando no asfalto.
No carro de apoio, logo atrás, Rafael viu tudo se desenrolar em segundos. O caminhão suspeito avançou, cortou pela frente e jogou a traseira como quem fecha uma porteira, estreitando o mundo a poucos metros de rodovia livre.
— Bloqueio confirmado — o motorista anunciou pelo rádio. — Ele fechou a rodovia.
Quase junto com a frase, um estampido seco cortou o ar. O retrovisor do carro de Rafael explodiu, estilhaços voaram para dentro do veículo e quicaram no painel.
— Tiro de advertência ou erro de mira — Nicolás chiou, abaixando o corpo.
Rafael sentiu o velho modo de operação tomar conta. Pegou o rádio com a mão firme.
— Ninguém atira sem minha ordem — disse. — Ele não sabe quantos somos, e isso é a nossa vantagem.
Herrera,