O comboio da polícia entrou pela estrada de terra, levantando poeira e interrompendo o silêncio da madrugada. Rafael estava no último carro, com Nicolás à sua frente e o delegado no veículo principal. O céu estava claro, com nuvens dispersas, mas a paisagem de Jalisco parecia estranhamente desolada à medida que avançavam. A vegetação era escassa, o que deixava o campo ainda mais árido. O cheiro de terra seca e algo enfumaçado impregnava o ar.
Rafael olhava fixo pela janela, o rosto impassível. O pensamento de que estavam cada vez mais perto de Arturo e dos seus segredos o consumia, mas ele se manteve calado, seus olhos se concentrando na estrada tortuosa à frente.
— Parece cenário de filme ruim — comentou Nicolás pelo rádio, tentando quebrar o silêncio pesado.
— Filme ruim, mas com vilão real — respondeu Rafael, a voz grave. Ele não queria perder o foco, mas o desconforto no ar era inegável. A cada quilômetro percorrido, mais se aproximavam do rancho, e ele sentia o peso de cada passo