Rafael não falou nada durante o caminho de volta. O céu clareava, mas dentro do carro o clima era denso. Ele segurava a foto amassada de Camila dentro do envelope plástico que o delegado lhe entregara, como se aquele papel fosse a prova material do que quase perdeu.
— Vai contar para ela hoje? — Nicolás perguntou, do banco da frente.
— Vou. — A resposta veio seca. — Se eu esconder isso, faço igual ao que fizeram com o pai dela.
— E o rancho?
— A polícia segura por enquanto. Quando Arturo descobrir que a toca foi revirada, não vai ter mais como fingir que não está no centro disso.
Quando chegaram à Hacienda, os seguranças já estavam em posição, conforme ele determinara. Carros na ronda, homens nas guaritas, rádios ativos. O portão se fechou com um estrondo atrás do comboio.
Rafael subiu direto. Parou na porta do quarto, respirou fundo e entrou. Camila estava recostada na cama, com um livro aberto e a mão apoiada na barriga. Levantou o olhar na mesma hora.
— Você voltou mais cedo do que