O sol mal tinha nascido quando Rafael atravessou o portão lateral da Hacienda com dois carros atrás. O delegado e Nicolás vinham no veículo principal. O terceiro, sem identificação, trazia o homem que tinham prendido de madrugada: o analista de marketing que vendia informações sobre funcionárias grávidas da rede Villalba.
Na sala de reuniões, o clima era de concreto. Rafael mandou fechar as cortinas e ficar só com a luz fria da manhã entrando por uma fresta. O homem estava algemado, as mãos trêmulas, o olhar fixo na mesa.
— Nome completo — disse Rafael, sem sentar.
— Julio… Julio Sanabria.
— Você trabalhava há quanto tempo para o conselho?
— Quase dois anos, senhor.
— E há quanto tempo para Arturo Villalba?
Julio hesitou, olhando o delegado.
— Se mentir, ele termina o interrogatório — o delegado avisou, seco.
— Uns cinco meses — o homem murmurou. — Ele me chamou num café. Disse que precisava de acesso a dados para “um projeto familiar”.
Rafael cruzou os braços.
— Que tipo de dados?
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