Camila acordou antes da luz encher o quarto, não porque tivesse descansado bem, mas porque o corpo já tinha aprendido a saída de emergência: qualquer ruído diferente, qualquer mexida de Rafael ao lado dela, qualquer lembrança da imagem que piscara no celular durante a noite, tudo servia de alarme. Ficou alguns minutos de olhos fechados, ouvindo a respiração dele, sentindo o peso do braço sobre sua cintura, o menino se mexendo de leve como se testasse espaço. Só quando percebeu que o peito não apertava tanto quanto na madrugada é que se permitiu abrir os olhos.
Rafael ainda dormia, ou fingia dormir, o rosto relaxado num grau que poucas pessoas algum dia veriam. Sem gravata, sem armadura de chefe, sem a luz dura do escritório, ele parecia menos distante do garoto que um dia tinha corrido por aqueles campos e mais próximo do homem que, na noite anterior, tinha segurado a foto cortada sem piscar e dito que acreditava nela. Camila o observou em silêncio, com a cabeça apoiada no travesseiro