Rafael sentiu o peso do dia bater com força quando desceu do carro na frente da Hacienda. O relógio marcava quase meia-noite, o vento trazia um cheiro distante de terra fria e agave úmido, e, por um instante, ele desejou que o mundo se resumisse àquele pedaço de chão e à mulher que o esperava lá em cima. Nicolás se despediu com um aceno curto, levando consigo o resumo mental do jantar, os pontos de atenção, os nomes dos conselheiros que certamente receberiam ligação de Arturo antes do amanhecer.
— Vai descansar — recomendou o amigo. — Amanhã a gente destrincha os números e o pós-jantar.
Rafael assentiu, sem muita energia para conversa. Entrou na casa, cruzou o hall escuro, subiu a escada com passos firmes, porém cansados. Encontrou Ingrid no corredor, encostada discretamente perto da porta do quarto de Camila, como se fizesse guarda sem admitir que era isso.
— Como ela está? — perguntou, antes mesmo de cumprimentar.
— Acordada até pouco tempo — respondeu Ingrid. — Agora não sei se est