O fim de tarde deixava o céu de Jalisco num tom alaranjado que parecia quase calmo demais para combinar com o que acontecia dentro da Hacienda. Do escritório até o corredor do andar superior, Rafael vinha com a cabeça cheia de datas, prints, nomes de empresas, e, por baixo de tudo isso, a imagem recortada que insistia em voltar como um lembrete de que a guerra também tinha fôlego para subir as escadas e entrar no quarto onde Camila tentava respirar.
Ingrid saía justamente do quarto quando ele se aproximou. Fechou a porta com cuidado, ajeitou a prancheta debaixo do braço e o avaliou de cima a baixo, como se verificasse se ele tinha condições emocionais de atravessar aquele limite.
— Ela está com dor de cabeça, mas nada grave — informou. — Pressão estável, bebê ativo, exames de hoje dentro do esperado. O problema principal, neste momento, é o que se passa daqui para cima.
Tocou de leve o próprio têmpora, indicando a mente.
— Eu imaginava — respondeu Rafael. — Eu tenho parte de culpa nis