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Prólogo 1.2 Rafael Medina

Não havia escapatória. Eu já sabia onde pressionar, conhecia as fissuras dele e se quisesse, poderia reduzi-lo a pó com um único movimento bem calculado. Era uma vantagem que me dava um gosto frio na boca: poder absoluto. Pensei na esposa, nas crianças, nas vidas que dependeriam das consequências da minha vingança. Preferi poupar isso por agora. Mas deixei claro: se Hugo bancasse o confronto, eu não hesitaria em transformar a vida dele num quarto espelhado, onde cada reflexo revelasse sua queda.

Poliana, desesperou.

— Você não pode fazer isso! — Ela tenta ajudar o Hugo e agora chegou o momento dela.

— Enquanto a você, já teve o que mereceu, você tem cinco minutos para sair da minha casa.

— O quê? Você ficou louco?

— Não, estou mais sã que o normal. Não queria uma oportunista ao meu lado. Você vai sair da minha vida do mesmo jeito que você entrou. Esqueça as regalias, carro, emprego, jóias. Você vai sair sem nada. Não por que eu me importo com coisas matérias, mais pelo seu carácter. Prefiro doar tudo a quem precisa, a deixar você levar algo.— vejo a raiva estampada em seu rosto. E desse jeito que eu gosto.

—Você vai se arrepender! — gritou ela, quase como quem decreta uma maldição.

— Talvez — respondi, lento, sem dar-lhe o conforto da reação. — Talvez eu morra sozinho. Mas prefiro o silêncio de um homem inteiro a uma vida inteira ao lado de alguém que calcula o preço de um beijo.

E enquanto ela choramingava, Hugo encolhia-se, e o eco das palavras de Poliana ainda pairava, eu sabia que nada, a partir daquela noite, voltaria a ser como antes. O gosto do vinho tornou-se amargo. O nome, uma ferida.

Mas a dor já estava feita.

E eu percebi, ali, que o amor não era um investimento era uma aposta perdida.

Fechei a porta do meu escritório atrás de mim e, sozinho. Permiti-me gritar. A voz saiu como algo preso havia anos, quebrando o silêncio do cômodo. Agarrei a garrafa ainda meio cheia e a atirei contra a parede. O vidro estilhaçou-se em chuva vermelha; o som foi seco, definitivo. O rótulo que criei com tanto orgulho se espalhou pelo chão, como notícias rasgadas.

Como pude ser tão cego?

Como deixei que, aos poucos, duas pessoas armassem a minha própria ruína bem nas minhas costas? O pensamento martelava, feroz e implacável. A traição não foi um golpe foi um planejamento frio, e eu sentia o gosto amargo de cada minuto perdido....

O homem que eu era morreu com a confiança que eu entregara.

Eu precisava extravasar.

A pressão do dia estava me deixando à beira da insanidade, e só havia uma forma de aliviar tudo aquilo. Peguei o celular, direto ao ponto:

— Quero duas das suas melhores… para a minha casa. Agora. — Minha voz soou firme, sem espaço para hesitação.

— Pode deixar, senhor Medina. Quando menos esperar, elas estarão aí. — respondeu a voz feminina do outro lado da linha.

Desliguei e soltei um suspiro pesado, servindo mais uma dose. O líquido desceu queimando, e junto dele veio o mesmo pensamento de sempre: é difícil confiar em alguém que não se deslumbre com o que tenho.

Mas hoje, eu não queria pensar. Não queria sentir nada além do toque, do prazer, do esquecimento.

Enviei uma mensagem curta para Félix, confirmando que Poliana já tinha saído da minha casa e liberando a chegada das duas mulheres da senhora Mirtis.

“Hoje eu só quero esquecer”, pensei, olhando meu reflexo no copo.

Não demorou ele avisou que já estava tudo limpo. Menos um problema para enfrentar.

Pouco depois, escuto passos no corredor. Alguém b**e. E autorizo de imediato.

— Pode entrar. — digo, sem erguer os olhos.

A porta se abre.

O ar muda.

Duas mulheres surgem diante de mim: uma morena de olhar firme, lábios carnudos; a outra, ruiva, com um sorriso que provoca e promete em silêncio.

As duas param à minha frente, esperando um comando.

— Senhor Medina… — a morena fala num tom baixo, quase um sussurro. — Onde prefere que comecemos?

Levanto do sofá, devagar, deixando que a tensão fale por mim. Um meio sorriso se forma em meus lábios.

— Surpreendam-me. — murmuro, tirando o paletó e o jogando sobre a mesa. E encaro as duas que se enstreolham com um sorriso no rosto e me permito aproveitar o momento que tanto me acalma....

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