O arquivo parecia respirar comigo, cada estante estreita como costelas enferrujadas guardando ossos de papel. Eu tinha voltado ali com um objetivo: encontrar novamente aquela pasta com a transação suspeita. Se conseguisse provar que havia algo errado, poderia, pela primeira vez, mostrar ao meu pai que servia para alguma coisa. Não era só sobre redenção; era sobre finalmente ter uma utilidade.
Passei pelas prateleiras até chegar ao setor de contratos. O barulho do metal quando puxei a gaveta ecoou alto demais no silêncio. Vasculhei com pressa, puxando uma pasta atrás da outra, até que encontrei: o mesmo protocolo. Coloquei sobre a bancada e abri.
Os números não mentiam. A autorização de pagamento estava ali, mas com um detalhe grotesco: a assinatura parecia forçada, o carimbo desalinhado. Não era erro de estagiário, era manipulação. Se aquilo fosse rastreado, haveria um culpado claro.
Meu coração disparava. Se conseguisse ligar aquela fraude a alguém, seria minha chance de mostrar que