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Capítulo 16 — Uma Ligação

A reunião terminou quase duas horas depois.

Os diretores deixavam a sala discutindo os próximos investimentos.

Nicolas permaneceu sentado por alguns segundos.

Os relatórios continuavam espalhados sobre a mesa.

Não leu nenhum.

A única imagem que voltava à sua mente era o rosto preocupado de Maya.

Levantou-se.

Atravessou o corredor em direção à presidência.

Assim que saiu do elevador...

Seus olhos procuraram automaticamente a recepção.

Maya ainda estava ali.

Sentada diante do computador.

Mas agora havia algo diferente.

Ela sorria discretamente para o celular.

Um sorriso de alívio.

Antes mesmo de perceber, Nicolas sentiu a própria tensão desaparecer.

Ela estava bem.

Foi então que Maya levantou os olhos.

Ao vê-lo, levantou-se imediatamente.

— Boa tarde, senhor Beaumont.

Ele aproximou-se.

Por um instante...

Esqueceu completamente que vários funcionários circulavam pelo corredor.

— Seu irmão?

Ela pareceu surpresa.

Não esperava que ele lembrasse.

Sorriu.

Um sorriso verdadeiro.

Mais bonito do que todos os outros que ele já tinha visto.

— Está tudo bem.

O ônibus atrasou por causa da chuva.

O celular dele descarregou.

Chegou em casa faz alguns minutos.

Nicolas apenas assentiu.

Sentiu um peso invisível desaparecer de seus ombros.

— Que bom.

Foram apenas duas palavras.

Mas, para Maya...

Soaram diferentes.

Havia preocupação nelas.

Não educação.

Preocupação.

Ela o observou por um instante.

— Obrigada.

Ele pareceu confuso.

— Pelo quê?

— Por perguntar.

Normalmente as pessoas dizem apenas "vai dar tudo certo".

O senhor realmente quis saber.

Nicolas desviou o olhar.

Não sabia responder aquilo.

Apenas entrou na própria sala.

Fechando a porta atrás de si.

...

Maya permaneceu alguns segundos parada.

Patrícia aproximou-se discretamente.

— Ele perguntou do Gabriel?

Maya assentiu.

— Perguntou.

Patrícia sorriu de lado.

— Eu conheço o senhor Beaumont há anos.

Nunca vi ele perguntar da família de funcionário nenhum.

Maya soltou uma pequena risada.

— Você vai começar de novo?

— Eu só estou dizendo o que vejo.

— Ele foi educado.

Só isso.

Patrícia cruzou os braços.

— Se você acredita...

Maya voltou ao computador.

Mas, pela primeira vez...

Aquela conversa ficou ecoando em sua cabeça.

Será que Patrícia estava exagerando?

Ou realmente havia alguma coisa diferente no comportamento dele?

Ela afastou rapidamente o pensamento.

Não.

Era impossível.

...

No fim do expediente...

Maya organizava os últimos documentos quando ouviu a porta da sala presidencial se abrir.

Nicolas saiu segurando o paletó.

Ela levantou-se.

— Até amanhã, senhor Beaumont.

Ele caminhou alguns passos.

Depois parou.

Virou-se novamente.

— Maya.

Ela olhou para ele.

— Sim?

Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos.

Ele parecia procurar as palavras certas.

Algo extremamente raro.

— Seu irmão...

Ela esperou.

— Espero que ele esteja melhor.

O coração de Maya aqueceu.

Sorriu com sinceridade.

— Obrigada.

Ele apenas assentiu.

Entrou no elevador.

As portas se fecharam.

...

Dentro do elevador ...

Nicolas encostou a cabeça na parede espelhada.

Fechou os olhos.

Não entendia o que estava acontecendo.

Nunca perguntara sobre a vida de um funcionário.

Nunca desejara boa recuperação a alguém da empresa.

Nunca se importara.

Agora...

Duas simples perguntas dirigidas a Maya haviam ocupado seus pensamentos o dia inteiro.

Respirou fundo.

Um leve sorriso apareceu em seus lábios.

Durou apenas um segundo.

Desapareceu logo em seguida.

— Você está perdido...

Murmurou para si mesmo.

E, pela primeira vez...

Não teve coragem de negar.

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