Mundo ficciónIniciar sesiónA garagem privativa da Beaumont Holding já estava movimentada quando Maya chegou.
Dois carros executivos aguardavam próximos ao elevador reservado para a presidência. Alguns seguranças conversavam discretamente pelo rádio. Motoristas conferiam horários. Tudo funcionava com uma precisão quase militar. Maya segurou a alça da pequena mala. Ainda lhe parecia estranho fazer parte daquele mundo. Patrícia aproximou-se sorrindo. — Nervosa? Maya soltou uma pequena risada. — Um pouco. — É normal. Primeira viagem? — Primeira de tudo. Primeira vez em um avião. Primeira viagem a trabalho. Primeira vez saindo do país. Patrícia sorriu. — Aproveite. Vai ser uma experiência inesquecível. Maya respirou fundo. Esperava que sim. … Poucos minutos depois… As portas do elevador privativo se abriram. Nicolas surgiu acompanhado apenas de um segurança. Vestia um terno azul-marinho impecavelmente alinhado. A gravata escura contrastava com a camisa branca. Como sempre… Transmitia autoridade apenas por caminhar. Os funcionários que estavam próximos interromperam as conversas. — Bom dia, senhor Beaumont. Ele respondeu apenas com um discreto movimento de cabeça. Então seus olhos encontraram Maya. Ela usava um conjunto social azul-claro. Os cabelos presos em um coque delicado. Quase não usava maquiagem. Ainda assim… Era impossível não olhar. Por um instante… Nicolas permaneceu completamente imóvel. Bonita. A palavra surgiu antes que pudesse impedi-la. Bonita demais. Percebeu que a observava havia tempo suficiente para chamar atenção. Desviou o olhar imediatamente. — Senhorita Fernandes. Ela sorriu. — Bom dia, senhor Beaumont. Está tudo pronto. Ele apenas assentiu. — Ótimo. Mas, enquanto caminhava em direção ao carro… Ainda conseguia sentir a imagem dela ocupando seus pensamentos. … O motorista abriu a porta traseira. Maya aguardou discretamente que Nicolas entrasse primeiro. Ele percebeu. — Entre. Ela hesitou. — Mas… — É uma ordem. Ela sorriu sem jeito. — Sim, senhor. Entrou no carro. Nicolas acomodou-se ao seu lado poucos segundos depois. O motorista fechou a porta. O veículo iniciou o trajeto em absoluto silêncio. … Durante alguns minutos… Nenhum dos dois falou. Maya observava discretamente a cidade pela janela. Tentando controlar a ansiedade. Nunca havia ido a um aeroporto. Muito menos embarcado em um avião. Percebendo o nervosismo dela, Nicolas fechou lentamente a pasta que lia. — Primeira viagem? Ela voltou o rosto para ele. Surpresa. Não esperava que ele iniciasse uma conversa. — Sim. Ele permaneceu alguns segundos em silêncio. Depois perguntou: — Está nervosa? Ela sorriu de leve. — Um pouco. Nunca entrei em um avião. Nicolas observou o brilho sincero em seus olhos. Era curioso. Ela não tentava esconder quando sentia medo. Nem quando ficava feliz. Era transparente. — Não há motivo para preocupação. Ela respirou fundo. — Eu sei. Mesmo assim… Dá um frio na barriga. Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto dos lábios dele. — Acontece. Maya arregalou discretamente os olhos. O senhor Beaumont… Acabara de tentar tranquilizá-la. Era um gesto pequeno. Mas, vindo dele… Parecia enorme. … Quarenta minutos depois… O carro atravessou os portões da área executiva do aeroporto. Maya observava tudo pela janela. Os enormes hangares. Os aviões alinhados na pista. Os funcionários caminhando apressados. Parecia outro mundo. O motorista estacionou. Um funcionário aproximou-se imediatamente para recolher as malas. Maya procurou, instintivamente, o prédio principal do aeroporto. Mas Nicolas continuou andando em outra direção. Ela franziu levemente a testa. — Senhor Beaumont… Ele voltou o rosto. — Sim? — Não vamos fazer o check-in? Ele sustentou seu olhar por alguns segundos. Depois respondeu com absoluta naturalidade: — Não será necessário. Ela ficou ainda mais confusa. — Não? Ele apontou discretamente para a pista. — Nosso avião está nos esperando. Maya acompanhou a direção de seu gesto. E parou completamente. Diante deles… Um elegante jato executivo branco refletia a luz da manhã. Ela permaneceu alguns segundos sem conseguir dizer uma única palavra. Os olhos percorreram lentamente a aeronave. Depois voltaram para Nicolas. — É… Nosso? Ele respondeu como se fosse a coisa mais comum do mundo. — Sim. Vamos nos atrasar. Ela ainda permaneceu imóvel por um instante. Nunca imaginara que pisaria em um avião. Muito menos… Em um jato particular. Respirou fundo. E seguiu Nicolas em direção à escada da aeronave. Sem perceber… Que, para ele… A viagem já havia começado muito antes do avião deixar o chão. Porque, pela primeira vez em muitos anos… Nicolas Beaumont não esperava apenas pelo destino. Esperava pelas horas que passaria ao lado de Maya.






