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Capítulo 26 — Entre Razão e Coração (Parte 2)

A garagem privativa da Beaumont Holding já estava movimentada quando Maya chegou.

Dois carros executivos aguardavam próximos ao elevador reservado para a presidência.

Alguns seguranças conversavam discretamente pelo rádio.

Motoristas conferiam horários.

Tudo funcionava com uma precisão quase militar.

Maya segurou a alça da pequena mala.

Ainda lhe parecia estranho fazer parte daquele mundo.

Patrícia aproximou-se sorrindo.

— Nervosa?

Maya soltou uma pequena risada.

— Um pouco.

— É normal.

Primeira viagem?

— Primeira de tudo.

Primeira vez em um avião.

Primeira viagem a trabalho.

Primeira vez saindo do país.

Patrícia sorriu.

— Aproveite.

Vai ser uma experiência inesquecível.

Maya respirou fundo.

Esperava que sim.

Poucos minutos depois…

As portas do elevador privativo se abriram.

Nicolas surgiu acompanhado apenas de um segurança.

Vestia um terno azul-marinho impecavelmente alinhado.

A gravata escura contrastava com a camisa branca.

Como sempre…

Transmitia autoridade apenas por caminhar.

Os funcionários que estavam próximos interromperam as conversas.

— Bom dia, senhor Beaumont.

Ele respondeu apenas com um discreto movimento de cabeça.

Então seus olhos encontraram Maya.

Ela usava um conjunto social azul-claro.

Os cabelos presos em um coque delicado.

Quase não usava maquiagem.

Ainda assim…

Era impossível não olhar.

Por um instante…

Nicolas permaneceu completamente imóvel.

Bonita.

A palavra surgiu antes que pudesse impedi-la.

Bonita demais.

Percebeu que a observava havia tempo suficiente para chamar atenção.

Desviou o olhar imediatamente.

— Senhorita Fernandes.

Ela sorriu.

— Bom dia, senhor Beaumont.

Está tudo pronto.

Ele apenas assentiu.

— Ótimo.

Mas, enquanto caminhava em direção ao carro…

Ainda conseguia sentir a imagem dela ocupando seus pensamentos.

O motorista abriu a porta traseira.

Maya aguardou discretamente que Nicolas entrasse primeiro.

Ele percebeu.

— Entre.

Ela hesitou.

— Mas…

— É uma ordem.

Ela sorriu sem jeito.

— Sim, senhor.

Entrou no carro.

Nicolas acomodou-se ao seu lado poucos segundos depois.

O motorista fechou a porta.

O veículo iniciou o trajeto em absoluto silêncio.

Durante alguns minutos…

Nenhum dos dois falou.

Maya observava discretamente a cidade pela janela.

Tentando controlar a ansiedade.

Nunca havia ido a um aeroporto.

Muito menos embarcado em um avião.

Percebendo o nervosismo dela, Nicolas fechou lentamente a pasta que lia.

— Primeira viagem?

Ela voltou o rosto para ele.

Surpresa.

Não esperava que ele iniciasse uma conversa.

— Sim.

Ele permaneceu alguns segundos em silêncio.

Depois perguntou:

— Está nervosa?

Ela sorriu de leve.

— Um pouco.

Nunca entrei em um avião.

Nicolas observou o brilho sincero em seus olhos.

Era curioso.

Ela não tentava esconder quando sentia medo.

Nem quando ficava feliz.

Era transparente.

— Não há motivo para preocupação.

Ela respirou fundo.

— Eu sei.

Mesmo assim…

Dá um frio na barriga.

Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto dos lábios dele.

— Acontece.

Maya arregalou discretamente os olhos.

O senhor Beaumont…

Acabara de tentar tranquilizá-la.

Era um gesto pequeno.

Mas, vindo dele…

Parecia enorme.

Quarenta minutos depois…

O carro atravessou os portões da área executiva do aeroporto.

Maya observava tudo pela janela.

Os enormes hangares.

Os aviões alinhados na pista.

Os funcionários caminhando apressados.

Parecia outro mundo.

O motorista estacionou.

Um funcionário aproximou-se imediatamente para recolher as malas.

Maya procurou, instintivamente, o prédio principal do aeroporto.

Mas Nicolas continuou andando em outra direção.

Ela franziu levemente a testa.

— Senhor Beaumont…

Ele voltou o rosto.

— Sim?

— Não vamos fazer o check-in?

Ele sustentou seu olhar por alguns segundos.

Depois respondeu com absoluta naturalidade:

— Não será necessário.

Ela ficou ainda mais confusa.

— Não?

Ele apontou discretamente para a pista.

— Nosso avião está nos esperando.

Maya acompanhou a direção de seu gesto.

E parou completamente.

Diante deles…

Um elegante jato executivo branco refletia a luz da manhã.

Ela permaneceu alguns segundos sem conseguir dizer uma única palavra.

Os olhos percorreram lentamente a aeronave.

Depois voltaram para Nicolas.

— É…

Nosso?

Ele respondeu como se fosse a coisa mais comum do mundo.

— Sim.

Vamos nos atrasar.

Ela ainda permaneceu imóvel por um instante.

Nunca imaginara que pisaria em um avião.

Muito menos…

Em um jato particular.

Respirou fundo.

E seguiu Nicolas em direção à escada da aeronave.

Sem perceber…

Que, para ele…

A viagem já havia começado muito antes do avião deixar o chão.

Porque, pela primeira vez em muitos anos…

Nicolas Beaumont não esperava apenas pelo destino.

Esperava pelas horas que passaria ao lado de Maya.

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