Mundo de ficçãoIniciar sessãoHelena Monteiro acreditava ter a vida perfeita: estava prestes a concluir a faculdade de Direito e a realizar o sonho de se casar com o homem que amava. Mas, em um único dia, tudo desmorona ao descobrir a traição do noivo com sua melhor amiga. Humilhada e de coração partido, Helena decide reconstruir sua vida do zero. O que ela não imaginava era que o destino a colocaria no caminho de Lorenzo Castellani, um poderoso empresário conhecido por sua frieza nos negócios e por esconder profundas cicatrizes do passado. Enquanto Lorenzo luta para proteger o filho e enfrentar uma mulher capaz de tudo por ambição, Helena tenta provar que ainda é possível confiar e amar novamente. Entre segredos, vinganças, mentiras e uma paixão inesperada, os dois descobrirão que algumas feridas só podem ser curadas quando o amor encontra coragem para recomeçar. Porque, às vezes, o pior dia da sua vida é apenas o início da sua maior história de amor.
Ler maisO despertador tocou às seis horas da manhã.
Helena Monteiro abriu os olhos lentamente, encarando o teto do pequeno apartamento onde morava com a mãe, Clara. O lugar era simples, mas carregava o maior tesouro que alguém poderia ter: amor. Naquela manhã, porém, havia algo diferente. Seu coração transbordava felicidade. Faltavam apenas três meses para concluir a faculdade de Direito, um sonho construído com noites sem dormir, estágios mal remunerados e incontáveis xícaras de café. Em poucos meses, também pisaria no altar ao lado de Ricardo Albuquerque, o homem que acreditava ser o amor da sua vida. Levantou-se sorrindo. Vestiu uma calça jeans clara, uma camisa branca e prendeu os longos cabelos castanhos em um rabo de cavalo. Ao entrar na cozinha, encontrou a mãe preparando café. — Bom dia, meu amor! Dormiu bem? Helena sorriu e abraçou Clara por trás. — Hoje vai ser um dia maravilhoso. Clara riu. — Você fala isso todos os dias. — Porque estou vivendo o melhor momento da minha vida. A mãe a observou com carinho. — Só espero que esse Ricardo faça você tão feliz quanto merece. Helena sorriu. — Ele faz. Ou, pelo menos, era isso que ela acreditava. Na universidade, Helena era admirada por todos. Inteligente. Educada. Sempre disposta a ajudar. Enquanto muitos colegas competiam entre si, ela dividia seus resumos e incentivava quem estivesse com dificuldades. Sua melhor amiga, Vanessa Duarte, caminhou apressada até ela. — Finalmente! Achei que você ia se atrasar. — Peguei trânsito. Vanessa abriu um enorme sorriso. — Então... preparada para casar com o homem mais disputado da cidade? Helena corou. — Para de exagerar. — Exagerando? O Ricardo é bonito, rico e advogado. Você ganhou na loteria. Helena riu. — Ganhei foi alguém que me ama. Vanessa desviou o olhar por um breve instante. Foi tão rápido que Helena nem percebeu. Enquanto isso... Do outro lado da cidade... O Grupo Castellani ocupava um prédio de quarenta andares revestido de vidro espelhado. No último andar, Lorenzo Castellani encerrava uma reunião. Os diretores o observavam com respeito. Alguns, com medo. Ele era conhecido por transformar empresas falidas em gigantes do mercado. Frio nos negócios. Implacável nas negociações. Mas existia um lado de Lorenzo que quase ninguém conhecia. Ao olhar para a fotografia sobre sua mesa, sua expressão endurecida desapareceu. Na imagem, uma mulher sorria segurando um menino de olhos claros. Sua esposa. E seu filho. A esposa já não fazia parte daquele mundo havia cinco anos. Restava apenas Enzo. O motivo pelo qual Lorenzo continuava seguindo em frente. Seu celular vibrou. Era Sabrina. — Amor, hoje posso jantar com vocês? Lorenzo respondeu sem entusiasmo. — Claro. Ela sorriu do outro lado da ligação. — Vou preparar uma surpresa para o Enzo. Assim que desligou, o sorriso desapareceu completamente. Sozinha em seu apartamento, murmurou: — Aquele garoto vai aprender hoje a me obedecer. À tarde... Helena saiu mais cedo da faculdade. Havia decidido fazer uma surpresa para Ricardo. Comprou os doces favoritos dele. Passou em uma cafeteria e pegou dois cafés. Enquanto caminhava até o prédio onde o noivo morava, imaginava a felicidade dele ao vê-la. Helena sorriu enquanto segurava a pequena caixa de doces e os dois cafés. — Ele vai adorar a surpresa... O elevador subiu lentamente. Décimo andar. Assim que as portas se abriram, ela caminhou pelo corredor silencioso. Parou diante do apartamento. Franziu a testa. A porta estava apenas encostada. — Ricardo? Nenhuma resposta. Empurrou a porta lentamente. Sobre o sofá havia uma bolsa feminina. Helena a reconheceu imediatamente. Era de Vanessa. Sorriu, tentando afastar qualquer pensamento estranho. — Ela deve ter vindo conversar sobre o casamento... Então ouviu uma risada. Depois outra. Baixa. Íntima. Seu coração acelerou. Os cafés tremiam em suas mãos. Ela caminhou devagar até o corredor. As vozes vinham do quarto. A porta estava entreaberta. Antes mesmo de olhar, ouviu Ricardo dizer entre risos: — Você fica linda usando a camisa dela... Vanessa respondeu com um tom provocador: — Ainda bem que ela nunca desconfia de nada. Os dois riram. Helena sentiu um frio percorrer sua espinha. Deu mais um passo. Pela pequena abertura da porta, viu Ricardo abraçando Vanessa sobre a cama. Ele a beijava com intensidade, enquanto ela passava as mãos pelos cabelos dele, completamente entregue ao momento. As roupas dos dois estavam espalhadas pelo chão do quarto. O vestido de Vanessa estava caído ao lado da cama. A camisa de Ricardo havia sido jogada sobre a cômoda. Os beijos continuavam, cheios de intimidade, como se aquele encontro fosse algo comum entre eles. Foi então que Ricardo, sem perceber a presença de Helena, sorriu para Vanessa e disse: — Daqui a alguns meses ela vai ser minha esposa... Fez uma pequena pausa, aproximando o rosto do dela. — ...e mesmo assim eu sempre volto para você. Vanessa sorriu com um ar de vitória. — Porque eu sou a mulher que você realmente deseja. Os dois voltaram a se beijar. Nesse instante, a caixa de doces escorregou das mãos de Helena. As rosas caíram no chão. O barulho ecoou pelo apartamento. Os beijos cessaram imediatamente. Ricardo virou o rosto. Vanessa fez o mesmo. Os dois empalideceram ao encontrar Helena parada na porta, com os olhos cheios de lágrimas e o coração completamente despedaçado.Helena permaneceu imóvel por alguns segundos diante da imponente fachada da Mansão Castellani.A construção, iluminada por refletores discretos, parecia um palácio moderno. Colunas de mármore, jardins impecavelmente desenhados, espelhos d'água e esculturas transformavam a propriedade em uma verdadeira obra de arte.Eduardo abriu a porta do carro.— Bem-vinda, senhorita Helena.Ela respirou fundo antes de descer.Naquele instante, percebeu que a mansão estava muito mais movimentada do que imaginava.Carros de luxo chegavam um após o outro.Motoristas uniformizados abriam as portas para empresários, autoridades, artistas e representantes de grandes empresas.Homens de terno e mulheres em vestidos de alta-costura caminhavam pelo tapete de pedra portuguesa em direção à entrada principal.Helena olhou para Eduardo, surpresa.— Achei que fosse apenas um jantar...O motorista sorriu.— É um jantar beneficente da Fundação Castellani.Todos os anos o senhor Lorenzo reúne empresários para arrec
Helena terminou de prender os cabelos diante do espelho.Respirou profundamente.O vestido azul-marinho escolhido por Clara caía perfeitamente em seu corpo.Era elegante, discreto e delicado.Uma maquiagem leve realçava seus olhos castanhos.Nos pés, um simples salto nude.Ela olhou para seu reflexo.Pela primeira vez desde a traição, voltou a enxergar a mulher forte que sempre existira dentro dela.Clara apareceu na porta do quarto.Seus olhos se encheram de orgulho.— Você está linda.Helena sorriu timidamente.— Está muito simples?Clara caminhou até ela e ajeitou delicadamente uma mecha de cabelo atrás de sua orelha.— Você não precisa competir com ninguém.Quem tem luz própria nunca precisa brilhar mais do que os outros.Helena abraçou a mãe.— Obrigada... por tudo.Clara beijou sua testa.— Apenas seja você.É suficiente.Às seis e meia da tarde, um elegante carro preto parou em frente ao prédio.O motorista desceu imediatamente.Vestia um impecável terno preto.Ao chegar à port
O relógio marcava nove horas da manhã.Helena tentava se concentrar nas anotações da faculdade, mas seus olhos insistiam em voltar para o cartão dourado sobre a mesa.Lorenzo Castellani.Ela ainda não acreditava que havia conhecido um dos empresários mais influentes do país da maneira mais inesperada possível.Mas o que realmente ocupava seus pensamentos não era a fortuna dele.Era o abraço de Enzo.O jeito como aquele menino a olhara.Como se ela fosse um porto seguro.Um porto que ela própria já não tinha.Na Mansão Castellani...Enzo desceu as escadas correndo.Pela primeira vez em muito tempo, acordara sorrindo.Encontrou o pai terminando o café da manhã.— Bom dia, campeão.Lorenzo sorriu ao vê-lo.— Dormiu bem?Enzo sentou-se rapidamente.— Papai...Ela vem hoje, não vem?Lorenzo fingiu não entender.— Quem?— A Helena.O empresário sorriu discretamente.— Ela aceitou o convite.Se não mudar de ideia, estará aqui esta noite.Os olhos do menino brilharam.— Eu posso mostrar meu q
A chuva finalmente havia cessado.Mas, para Helena, a tempestade continuava dentro do coração.Ela permanecia sentada na cama, vestindo um pijama simples, enquanto encarava o elegante cartão dourado que Lorenzo Castellani lhe entregara.Ao lado dele, repousava sua aliança de noivado.Ela a havia colocado sobre o criado-mudo assim que chegou em casa.Ficou observando aquele pequeno círculo de ouro durante longos segundos.Quantos sonhos cabiam dentro de uma aliança?Quantas promessas?Quantas mentiras?Respirou profundamente.Pegou o anel entre os dedos.Lembrou-se do dia em que Ricardo ajoelhou diante dela.— "Prometo que nunca vou fazer você sofrer."Uma lágrima escorreu.— Você conseguiu quebrar todas as promessas...Sem pensar mais, abriu a gaveta do criado-mudo e guardou a aliança lá dentro.Fechou a gaveta lentamente.Era como se estivesse enterrando uma parte da própria vida.Na sala, Clara permanecia acordada.Ela conhecia a filha.Sabia que Helena jamais conseguiria dormir naq










Último capítulo