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Capítulo 26 — Entre Razão e Coração

Os dias que antecederam a viagem passaram mais depressa do que Maya imaginava.

A agenda da presidência continuava cheia.

Reuniões.

Relatórios.

Telefonemas.

Contratos.

Mesmo assim…

Em alguns momentos, seus pensamentos fugiam para um único assunto.

A conversa com Patrícia.

“Você sabe quantas assistentes viajaram com o senhor Beaumont?”

“Nenhuma.”

Maya balançou discretamente a cabeça enquanto organizava alguns documentos.

Não.

Aquilo não fazia sentido.

Patrícia estava imaginando coisas.

O senhor Beaumont era um homem extremamente profissional.

Se a convidara para acompanhá-lo…

Era porque fazia parte do seu trabalho.

Nada além disso.

Precisava parar de pensar naquele assunto.

Naquela noite…

Já em casa, Maya terminava de arrumar uma pequena mala.

Gabriel observava tudo sentado sobre a cama.

— Então você vai viajar de avião?

Ela sorriu.

— Parece que sim.

— Que legal!

Você nunca viajou, né?

— Nunca.

Gabriel abriu um sorriso.

— Tira muitas fotos!

Ela riu.

— Vou trabalhar, Gabi.

Não passear.

— Mesmo assim.

Quero ver tudo depois.

Maya fechou a mala e sentou-se ao lado do irmão.

Por alguns segundos…

Permaneceu em silêncio.

— Gabi…

Você acha que às vezes as pessoas imaginam coisas onde não existem?

Ele inclinou a cabeça.

— Como assim?

Ela respirou fundo.

— A Patrícia disse que o senhor Beaumont nunca levou nenhuma assistente para viajar.

Gabriel arqueou uma sobrancelha.

— E agora vai levar você.

— Sim.

Mas é porque agora sou assistente pessoal dele.

Faz sentido.

Gabriel sorriu de canto.

— Faz mesmo?

Ela lançou-lhe um olhar desconfiado.

— Você também?

Ele deu de ombros.

— Não sei…

Mas, toda vez que você fala dele…

Você sorri diferente.

Maya arregalou os olhos.

— Eu não sorrio diferente.

— Sorri, sim.

Ela pegou uma almofada e jogou nele.

Os dois riram.

Mas, quando o silêncio voltou…

As palavras do irmão permaneceram em sua mente.

Será que sorria mesmo?

Balançou a cabeça.

Não.

Era impossível.

O senhor Beaumont era um homem elegante.

Inteligente.

Rico.

Respeitado.

Poderoso.

Mulheres bonitas certamente faziam parte da vida dele.

Mulheres que frequentavam os mesmos lugares.

Os mesmos eventos.

Os mesmos círculos sociais.

Ela…

Era apenas uma garota comum.

Criada em um bairro simples.

Que passara anos trabalhando em uma cafeteria.

A distância entre os dois era grande demais.

Não apenas financeiramente.

Mas em todos os sentidos.

Suspirou.

Precisava parar de alimentar pensamentos sem sentido.

Na Beaumont Holding…

Do outro lado da cidade…

Nicolas permanecia diante da enorme janela de sua sala.

As luzes dos prédios começavam a acender.

Sobre sua mesa havia uma pasta com todos os detalhes da viagem.

Pela terceira vez naquela tarde…

Abriu o documento apenas para confirmar os horários.

Como se pudesse haver alguma mudança.

Não havia.

Ainda assim…

Voltou a ler.

Fechou a pasta.

Abriu novamente.

Até que soltou um breve suspiro.

— O que está acontecendo comigo…

Nunca havia sentido ansiedade antes de uma viagem.

Muito menos curiosidade para saber como alguém reagiria ao entrar em um avião pela primeira vez.

Sorriu sozinho.

Quase imperceptivelmente.

Imaginou Maya olhando pela janela durante o voo.

Observando as nuvens.

Provavelmente com aquele brilho curioso nos olhos.

A imagem surgiu com tanta clareza…

Que ele fechou a pasta imediatamente.

Passou a mão pelo rosto.

— Concentre-se.

É apenas uma viagem de trabalho.

Repetiu aquelas palavras mentalmente.

Uma.

Duas.

Três vezes.

Mas, no fundo…

Sabia que mentia para si mesmo.

Não era apenas uma viagem.

Era a oportunidade de passar dois dias ao lado dela.

Sem reuniões constantes.

Sem dezenas de funcionários entrando e saindo da sala.

Sem interrupções.

E essa ideia…

Em vez de preocupá-lo…

Começava, perigosamente, a agradá-lo.

Na manhã seguinte…

A Beaumont Holding parecia mais movimentada do que de costume.

Malas discretas já aguardavam junto ao elevador privativo.

Maya respirou fundo ao observá-las.

Era o dia da viagem.

E, sem que soubesse explicar o motivo…

Seu coração batia um pouco mais rápido do que deveria.

Talvez fosse nervosismo.

Talvez fosse responsabilidade.

Ou talvez…

Fosse apenas a sensação de que aquela viagem mudaria alguma coisa entre ela e Nicolas Beaumont.

Ela ainda não sabia o quê.

Mas sentia.

De alguma forma…

Sentia.

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