Mundo ficciónIniciar sesiónAs portas automáticas do hospital se abriram com violência.
— Médico! Agora! A voz firme de Nicolas ecoou por todo o saguão. Enfermeiros correram imediatamente ao ver a jovem desacordada em seus braços. Uma maca foi trazida às pressas. — O que aconteceu com ela? — Possível sedação por substância inalante. Foi encontrada inconsciente. O médico não fez mais perguntas. — Levem-na para a emergência! Dois enfermeiros assumiram a maca. Por um breve instante… Os dedos de Maya permaneceram presos à camisa de Nicolas. Involuntariamente. Como se, mesmo inconsciente, procurasse alguma segurança. Ele olhou para aquela pequena mão. Com extremo cuidado, soltou seus dedos. Acompanhou a maca até as portas do centro cirúrgico. Quando as portas se fecharam… Pela primeira vez desde que a encontrara… Ele ficou parado. Sem saber o que fazer. … Lorenzo aproximou-se em silêncio. Nunca havia visto o amigo daquele jeito. — Ela está em boas mãos. Nicolas não respondeu. Continuava olhando para a porta. Como se pudesse vê-la através dela. Depois de alguns segundos, perguntou: — O melhor médico está com ela? — Sim. — Quero outro. Lorenzo sorriu discretamente. — Nicolas… É o melhor neurologista do hospital. — Então coloque mais um. Não quero margem para erro. Lorenzo assentiu. Já esperava aquela reação. Pegou o telefone. — Quero o doutor Henrique na emergência imediatamente. É uma ordem minha. … Quase quarenta minutos depois… O médico saiu da sala. Retirou a máscara. — Senhor Martinelli? Lorenzo aproximou-se. — Como ela está? — Fora de perigo. A substância utilizada provocou um sono profundo, mas conseguimos estabilizá-la rapidamente. Ela deve acordar nas próximas horas. Nicolas fechou os olhos discretamente. Sentiu um peso enorme sair dos ombros. O médico continuou. — Ela ficará internada apenas para observação. Acreditamos que terá uma recuperação completa. — Obrigado, doutor. O médico voltou para dentro. Lorenzo olhou para Nicolas. — Você pode respirar agora. Mas Nicolas permaneceu em silêncio. … Poucos minutos depois… Gabriel chegou ao hospital acompanhado de dona Lúcia. Assim que viu Lorenzo, correu até ele. — Minha irmã! Lorenzo ajoelhou-se diante do menino. — Ela está bem. Vai ficar tudo bem. Gabriel abraçou Lorenzo com força. Sem conseguir conter o choro. Nicolas observava tudo à distância. Não queria assustar o garoto. Nem chamar atenção. Preferiu permanecer alguns passos atrás. Quando Gabriel finalmente entrou para ver a irmã… Nicolas virou-se. Já caminhava em direção à saída. Lorenzo o chamou. — Você nem vai esperar ela acordar? Ele parou. Permaneceu alguns segundos de costas. Depois respondeu em voz baixa. — Não. — Por quê? Nicolas respirou fundo. — Porque ela não pode saber que fui eu. Lorenzo franziu a testa. — Ela merece saber quem salvou a vida dela. — Ainda não. Sua voz saiu firme. — Um dia… Talvez. Mas não agora. Lorenzo sorriu de lado. Conhecia Nicolas bem demais. Ele podia enfrentar empresários, governos e negociações bilionárias sem demonstrar qualquer emoção. Mas bastava uma única mulher… Para fazê-lo fugir. — Você é um completo idiota. Nicolas deu um pequeno sorriso. Talvez fosse. Sem dizer mais nada, caminhou até a saída do hospital. Lá fora, a chuva já havia parado. Entrou no carro. Antes de fechar a porta, lançou um último olhar para o prédio. Ela estava segura. Era tudo o que importava. Mesmo que ela nunca soubesse quem esteve ali. Mesmo que nunca descobrisse… Que o homem que dizia não sentir nada por ninguém havia atravessado a cidade inteira, arriscado a própria vida e abandonado tudo apenas para salvá-la. Naquele momento… Isso bastava.






