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Capítulo 22 — Entre a Vida e a Morte

As portas automáticas do hospital se abriram com violência.

— Médico! Agora!

A voz firme de Nicolas ecoou por todo o saguão.

Enfermeiros correram imediatamente ao ver a jovem desacordada em seus braços.

Uma maca foi trazida às pressas.

— O que aconteceu com ela?

— Possível sedação por substância inalante.

Foi encontrada inconsciente.

O médico não fez mais perguntas.

— Levem-na para a emergência!

Dois enfermeiros assumiram a maca.

Por um breve instante…

Os dedos de Maya permaneceram presos à camisa de Nicolas.

Involuntariamente.

Como se, mesmo inconsciente, procurasse alguma segurança.

Ele olhou para aquela pequena mão.

Com extremo cuidado, soltou seus dedos.

Acompanhou a maca até as portas do centro cirúrgico.

Quando as portas se fecharam…

Pela primeira vez desde que a encontrara…

Ele ficou parado.

Sem saber o que fazer.

Lorenzo aproximou-se em silêncio.

Nunca havia visto o amigo daquele jeito.

— Ela está em boas mãos.

Nicolas não respondeu.

Continuava olhando para a porta.

Como se pudesse vê-la através dela.

Depois de alguns segundos, perguntou:

— O melhor médico está com ela?

— Sim.

— Quero outro.

Lorenzo sorriu discretamente.

— Nicolas…

É o melhor neurologista do hospital.

— Então coloque mais um.

Não quero margem para erro.

Lorenzo assentiu.

Já esperava aquela reação.

Pegou o telefone.

— Quero o doutor Henrique na emergência imediatamente.

É uma ordem minha.

Quase quarenta minutos depois…

O médico saiu da sala.

Retirou a máscara.

— Senhor Martinelli?

Lorenzo aproximou-se.

— Como ela está?

— Fora de perigo.

A substância utilizada provocou um sono profundo, mas conseguimos estabilizá-la rapidamente.

Ela deve acordar nas próximas horas.

Nicolas fechou os olhos discretamente.

Sentiu um peso enorme sair dos ombros.

O médico continuou.

— Ela ficará internada apenas para observação.

Acreditamos que terá uma recuperação completa.

— Obrigado, doutor.

O médico voltou para dentro.

Lorenzo olhou para Nicolas.

— Você pode respirar agora.

Mas Nicolas permaneceu em silêncio.

Poucos minutos depois…

Gabriel chegou ao hospital acompanhado de dona Lúcia.

Assim que viu Lorenzo, correu até ele.

— Minha irmã!

Lorenzo ajoelhou-se diante do menino.

— Ela está bem.

Vai ficar tudo bem.

Gabriel abraçou Lorenzo com força.

Sem conseguir conter o choro.

Nicolas observava tudo à distância.

Não queria assustar o garoto.

Nem chamar atenção.

Preferiu permanecer alguns passos atrás.

Quando Gabriel finalmente entrou para ver a irmã…

Nicolas virou-se.

Já caminhava em direção à saída.

Lorenzo o chamou.

— Você nem vai esperar ela acordar?

Ele parou.

Permaneceu alguns segundos de costas.

Depois respondeu em voz baixa.

— Não.

— Por quê?

Nicolas respirou fundo.

— Porque ela não pode saber que fui eu.

Lorenzo franziu a testa.

— Ela merece saber quem salvou a vida dela.

— Ainda não.

Sua voz saiu firme.

— Um dia…

Talvez.

Mas não agora.

Lorenzo sorriu de lado.

Conhecia Nicolas bem demais.

Ele podia enfrentar empresários, governos e negociações bilionárias sem demonstrar qualquer emoção.

Mas bastava uma única mulher…

Para fazê-lo fugir.

— Você é um completo idiota.

Nicolas deu um pequeno sorriso.

Talvez fosse.

Sem dizer mais nada, caminhou até a saída do hospital.

Lá fora, a chuva já havia parado.

Entrou no carro.

Antes de fechar a porta, lançou um último olhar para o prédio.

Ela estava segura.

Era tudo o que importava.

Mesmo que ela nunca soubesse quem esteve ali.

Mesmo que nunca descobrisse…

Que o homem que dizia não sentir nada por ninguém havia atravessado a cidade inteira, arriscado a própria vida e abandonado tudo apenas para salvá-la.

Naquele momento…

Isso bastava.

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