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Capítulo 13 — O Que Ela Nunca Imaginou

Capítulo 13 — O Que Ela Nunca Imaginou

Duas semanas.

Esse era o tempo que Maya trabalhava diretamente para Nicolas Beaumont.

Às vezes...

Ainda parecia estranho.

Se alguém lhe dissesse, poucos meses antes, que um dia seria assistente do presidente de uma das maiores empresas do país...

Ela teria rido.

Agora...

Era sua realidade.

Todas as manhãs chegava antes das oito.

Conferia a agenda.

Organizava reuniões.

Separava contratos.

Respondia ligações.

Tudo precisava estar perfeito antes que Nicolas atravessasse a porta.

E, curiosamente...

Gostava daquilo.

Gostava da organização.

Da rotina.

Do desafio.

Sentia que, pela primeira vez em muitos anos...

Seu trabalho era reconhecido.

...

Apesar da fama de homem frio...

Nicolas nunca levantara a voz para ela.

Era exigente.

Muito exigente.

Queria tudo no horário.

Tudo organizado.

Tudo impecável.

Mas nunca fora desrespeitoso.

Quando precisava corrigir alguma coisa...

Fazia isso com calma.

De maneira objetiva.

Sem humilhar ninguém.

Aquilo surpreendia Maya.

A imagem que a imprensa construía dele era completamente diferente.

...

Naquela manhã...

Ela terminava de organizar alguns documentos quando Patrícia apareceu com duas xícaras de café.

— Pausa de cinco minutos.

Maya sorriu.

— Cinco minutos eu consigo.

As duas sentaram-se na pequena copa reservada aos funcionários da presidência.

Por alguns instantes...

Conversaram sobre assuntos sem importância.

Até que Patrícia sorriu de lado.

— Posso te fazer uma pergunta?

Maya já conhecia aquele sorriso.

— Essa pergunta vai me deixar com vergonha?

— Talvez.

Ela riu.

— Então pergunta.

Patrícia tomou um gole de café.

— Você realmente não percebe?

— Perceber o quê?

— O jeito que o senhor Beaumont olha para você.

Maya quase engasgou com o café.

— O quê?

Patrícia riu.

— Está vendo?

Você faz essa cara toda vez.

— Porque isso não faz sentido.

— Faz, sim.

— Não faz.

Patrícia apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Maya...

Trabalho aqui há oito anos.

Conheço Nicolas Beaumont desde o primeiro dia.

Ele nunca reparou em funcionária nenhuma.

Nunca.

Nunca puxou conversa.

Nunca mudou a rotina por causa de alguém.

Nunca passou tantas vezes pela recepção sem necessidade.

E, desde que você chegou...

Ele vive inventando motivos para aparecer.

Maya balançou a cabeça, divertida.

— Você está imaginando coisas.

— Não estou.

— Está.

Patrícia insistiu.

— Você nunca percebeu que ele sempre procura você quando sai da sala?

— Ele procura a agenda.

— Não.

Você.

Maya deu uma pequena risada.

— Patrícia...

Olha para mim.

Depois olha para ele.

Ela abriu os braços.

— Eu sou uma garota comum.

Passei anos trabalhando em cafeteria.

Depois em lanchonete.

Moro em um apartamento simples.

Tenho contas para pagar.

Meu irmão depende de mim.

E ele...

Ela apontou discretamente para a enorme porta da sala presidencial.

— É Nicolas Beaumont.

Um dos homens mais ricos do país.

Bonito.

Inteligente.

Respeitado.

Tem mulheres muito mais bonitas do que eu aos pés dele.

Por que ele olharia justamente para mim?

Patrícia permaneceu alguns segundos em silêncio.

Depois respondeu baixinho:

— Talvez...

Porque você seja a única que nunca olhou para o dinheiro dele.

Maya sorriu com carinho.

— Você assiste romance demais.

As duas riram.

O assunto morreu ali.

Pelo menos para Maya.

...

No mesmo instante...

Do outro lado da parede...

Nicolas encerrava uma ligação.

Ao levantar-se para pegar um documento, ouviu uma risada.

Era ela.

Olhou discretamente através da parede de vidro da própria sala.

Maya conversava com Patrícia.

As duas riam de alguma coisa.

Sem perceber...

Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios.

Durou poucos segundos.

Até que um jovem advogado aproximou-se da mesa de Maya para entregar alguns papéis.

Ela voltou a sorrir.

Agradeceu.

Os dois conversaram rapidamente.

O sorriso de Nicolas desapareceu.

Franziu discretamente a testa.

Por que ela sorria daquele jeito para todo mundo?

Aquilo não fazia sentido.

Era apenas educação.

Ele sabia.

Mas, ainda assim...

Sentia um incômodo difícil de explicar.

Desviou imediatamente o olhar.

— Ridículo...

Murmurou para si mesmo.

Pegou uma pasta qualquer sobre a mesa.

Abriu.

Tentou ler.

Cinco minutos depois...

Não fazia ideia do que havia acabado de ler.

...

No fim do expediente...

Maya organizava sua mesa antes de ir embora.

Foi então que percebeu que a luz da sala de Nicolas ainda estava acesa.

Olhou o relógio.

Já passava das oito da noite.

Franziu levemente a testa.

"Será que ele ainda não foi embora?"

Pensou por um instante.

Depois decidiu preparar um café fresco e deixá-lo discretamente sobre a mesa dele.

Sem bilhete.

Sem interrompê-lo.

Era apenas um gesto de cuidado.

O mesmo cuidado que sempre teve com qualquer pessoa que parecesse cansada.

Ela não imaginava...

Que, para Nicolas...

Aquele pequeno gesto teria um significado muito maior.

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