Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 12 — Pequenos Detalhes
Os dias começaram a seguir uma nova rotina. Todas as manhãs, às oito em ponto... Maya organizava a agenda do presidente da Beaumont Holding. Separava contratos. Conferia horários. Respondia e-mails. Preparava reuniões. Em menos de duas semanas... Parecia trabalhar naquele andar havia anos. Sua organização impressionava. Sua calma também. ... Naquela terça-feira... Nicolas saiu de sua sala às nove e quinze. Precisava atravessar o corredor para uma reunião com o conselho administrativo. Assim que abriu a porta... Encontrou Maya concentrada diante do computador. Uma pequena mecha de cabelo havia escapado do coque. Ela nem percebeu. Continuava digitando rapidamente. — Senhor Beaumont. Bom dia. Ele respondeu com um discreto movimento de cabeça. — Bom dia. Antes de seguir pelo corredor, lançou mais um olhar em sua direção. Ela mordia levemente o lábio inferior enquanto conferia alguns horários na agenda. Estava completamente concentrada. Não havia percebido que ele ainda estava parado. Nicolas virou-se imediatamente. — Vamos. Murmurou para si mesmo. ... A reunião durou quase duas horas. Quando voltou ao último andar... Encontrou uma xícara de café sobre sua mesa. Ainda quente. Ao lado dela... Um pequeno bilhete escrito à mão. "O senhor não conseguiu tomar café antes da reunião. Achei que talvez precisasse." — Maya. Ele olhou para a porta entreaberta. Ela conversava ao telefone na mesa do lado de fora. Nem imaginava que ele lia o bilhete naquele instante. Nicolas pegou a xícara. Provou o café. Exatamente do jeito que gostava. Sem açúcar. Forte. Na temperatura certa. Franziu discretamente a testa. Como ela sabia? ... Mais tarde... Maya entrou na sala carregando alguns documentos. Bateu levemente na porta antes de entrar. — Com licença. Ele ergueu os olhos. — Pode entrar. Ela aproximou-se da mesa. — Estes contratos precisam da sua assinatura. Ele pegou a caneta. Enquanto assinava... Perguntou sem levantar a cabeça: — Quem disse como eu tomo café? Maya pareceu surpresa. — Ninguém. Ele finalmente ergueu os olhos. — Então como sabia? Ela sorriu de maneira simples. — No primeiro dia em que trabalhei na recepção, vi o senhor pegar um café. O senhor tomou um gole... Depois colocou dois sachês de açúcar de volta na bandeja. Então imaginei que gostasse sem açúcar. Nicolas permaneceu em silêncio. Ela continuou naturalmente: — Também percebi que o senhor sempre deixa o café esfriar um pouco antes de beber. Por isso esperei alguns minutos antes de levar. Ele não respondeu. Ela apenas colocou os documentos organizados sobre a mesa. — Precisa de mais alguma coisa? — Não. — Então, com licença. Ela saiu. Fechando a porta suavemente. ... Nicolas permaneceu olhando para a porta. Depois voltou os olhos para a xícara. Ela tinha reparado. Em detalhes que nem mesmo algumas pessoas que trabalhavam com ele havia anos percebiam. Passou os dedos pela borda da caneca. Não estava acostumado a ser observado daquela forma. Não porque fosse o presidente. Mas porque alguém havia prestado atenção nele. Na pessoa. Não no cargo. ... No fim da tarde... Patrícia apareceu na mesa de Maya. — Posso te perguntar uma coisa? Maya sorriu. — Claro. — Você fez aquele café para o senhor Beaumont hoje? — Fiz. Patrícia cruzou os braços. — Você sabia exatamente como ele gosta. Maya deu de ombros. — Eu só observei. Sempre fiz isso. Na cafeteria eu decorava o pedido dos clientes. Aqui é a mesma coisa. Patrícia soltou uma risada. — Você nem percebe o efeito que causa nas pessoas, não é? Maya franziu a testa. — Como assim? — Nada. Esquece. Maya sorriu, sem entender. Voltou ao trabalho. Enquanto isso... Do outro lado da parede... Nicolas terminava de assinar os últimos documentos do dia. Mas, antes de fechar a pasta... Seus olhos voltaram para o pequeno bilhete. Sem pensar... Guardou-o na gaveta da mesa. Só depois percebeu o que havia feito. Poderia ter jogado o papel no lixo. Era apenas um recado. Mesmo assim... Escolheu guardá-lo. E aquilo... O preocupou mais do que qualquer contrato bilionário.






