Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 14 — Um Lugar Que Era Só Dela
Na manhã seguinte... Maya chegou à Beaumont Holding alguns minutos antes do horário. Como sempre. Gostava de começar o dia com calma. Ligou o computador. Organizou a agenda de Nicolas. Separou os contratos da primeira reunião. Conferiu os e-mails. Quando terminou... Olhou para o relógio. Ainda faltavam quinze minutos para ele chegar. Sorriu discretamente. Tudo estava pronto. ... No mesmo instante... O carro preto parava diante da empresa. Nicolas desceu ajustando o relógio no pulso. Os seguranças cumprimentaram-no. Ele respondeu apenas com um movimento de cabeça. Entrou no elevador privativo. Pela primeira vez em muitos anos... Percebeu uma mudança na própria rotina. Antes... Seu primeiro pensamento ao chegar era a reunião do dia. Ou algum contrato importante. Agora... Queria saber se Maya já havia chegado. A simples constatação fez com que franzisse a testa. — Ridículo... Murmurou para si mesmo. As portas do elevador se abriram. Seus olhos encontraram Maya imediatamente. Ela organizava alguns documentos sobre a mesa. Assim que percebeu sua presença... Levantou-se. Sorriu. — Bom dia, senhor Beaumont. Ele sustentou seu olhar por um breve instante. — Bom dia. Ela entregou-lhe a agenda. — A reunião das nove foi confirmada. Os documentos para assinatura já estão na sua mesa. Também organizei os contratos que o senhor pediu ontem. Nicolas pegou a pasta. — Obrigado. Foi apenas uma palavra. Mas Maya percebeu. Era a primeira vez que ele lhe agradecia espontaneamente. Sorriu discretamente. — Disponha. ... O restante da manhã passou rapidamente. Reuniões. Telefonemas. Assinaturas. Como sempre. Pouco antes do almoço... Maya levantou-se para buscar alguns documentos no arquivo. Assim que ela entrou no elevador... Nicolas saiu da sala. Olhou instintivamente para a mesa dela. Estava vazia. Parou por um segundo. O corredor parecia... diferente. Silencioso demais. Franziu discretamente a testa. Ela só havia saído por alguns minutos. Mesmo assim... Sentiu falta da presença dela. Aquilo não era normal. Virou-se imediatamente. Voltou para a sala. Tentou ignorar o próprio pensamento. Sem sucesso. ... Cinco minutos depois... Maya retornou carregando uma pilha de pastas. Assim que passou pela porta... Nicolas saiu novamente. Os dois quase se encontraram no corredor. Ela sorriu. — Desculpe. Quase derrubei tudo. Ele segurou automaticamente uma das pastas antes que escorregasse. Os dedos dos dois se tocaram por um breve instante. Foi rápido. Quase imperceptível. Mas suficiente para que Nicolas retirasse a mão imediatamente. — Tome cuidado. A voz saiu mais baixa do que de costume. Maya assentiu. — Obrigada. Ele entrou na sala sem dizer mais nada. Fechou a porta. Encostou as mãos sobre a mesa. Respirou fundo. O toque havia durado menos de um segundo. Menos de um segundo. E, ainda assim... Seu coração acelerara de uma forma completamente irracional. Passou a mão pelo rosto. — Você está perdendo o juízo... ... No fim da tarde... Patrícia aproximou-se da mesa de Maya. — Posso fazer uma observação? Maya levantou os olhos. — Claro. Patrícia sorriu. — Você percebeu que o senhor Beaumont já saiu da sala cinco vezes hoje? Maya riu. — Deve estar muito ocupado. — Justamente. Ele nunca sai da sala quando está ocupado. Maya voltou a organizar os documentos. — Patrícia... Você prometeu que ia parar com essas teorias. — Eu prometi tentar. As duas riram. Patrícia então falou mais baixo. — Só toma cuidado. — Cuidado com o quê? — Com o jeito que ele olha para você. Maya balançou a cabeça. — Você realmente acredita nisso? — Acredito. Maya sorriu com carinho. — Não existe homem como Nicolas Beaumont olhando para uma mulher como eu. Patrícia inclinou a cabeça. — Às vezes... É justamente a mulher que menos percebe o próprio valor que chama mais atenção. Maya apenas riu. — Você anda lendo romances demais. As duas voltaram ao trabalho. Enquanto isso... Do outro lado da porta... Sem que nenhuma das duas soubesse... Nicolas permanecia parado. Segurava uma pasta nas mãos. Não ouvira toda a conversa. Apenas as últimas palavras de Maya. "Não existe homem como Nicolas Beaumont olhando para uma mulher como eu." Ele permaneceu imóvel. Por algum motivo... Aquela frase o incomodou. Mais do que deveria. Porque, pela primeira vez... Percebeu que Maya realmente acreditava que jamais seria notada por alguém como ele. E talvez... Esse fosse exatamente o motivo de ela nunca olhar para Nicolas Beaumont... Como todas as outras mulheres olhavam. Ela enxergava apenas o chefe. E, sem perceber... Era justamente isso que fazia Nicolas olhar cada vez mais para ela.






