Mundo ficciónIniciar sesiónEm uma cidade escondida entre névoas e pinheiros centenários, a paz é uma ilusão sustentada por segredos sombrios. Lyra Thorne acreditava ser apenas uma sobrevivente em um mundo em ruínas, até que o passado de sua linhagem bate à porta com garras afiadas. De um lado, Malakai Blackwood, o Alfa Lendário — um homem que carrega a fúria das feras e a honra de uma alcateia que se recusa a morrer. Do outro, a Rede, uma inteligência artificial implacável liderada pela sombra de Silas, que deseja digitalizar a alma da humanidade e erradicar o "erro" da carne. Quando Lyra atravessa o limiar da caverna proibida, ela não encontra apenas pedras e sombras, mas um labirinto de realidade distorcida onde o tempo se dobra e avatares sem rosto questionam sua sanidade. Traída por aqueles em quem confiava — como o calculista Caleb e a letal Selina — Lyra precisa abraçar o fogo que corre em suas veias para proteger o futuro de sua espécie. Sangue. Dados. Destino. Silver Moon não é apenas uma cidade; é o último campo de batalha entre o instinto animal e a perfeição fria das máquinas. Você está pronto para escolher seu lado? Ou será apenas mais um erro a ser deletado pelo sistema?
Leer más"O tempo não pertence a quem o vigia ou a quem o tenta consertar; o tempo pertence a quem está disposto a sangrar por um único segundo de liberdade."
— Malakai Blackwood
O vento da montanha uivava como uma fera ferida, cortando a pele de Lyra através da túnica fina e branca. O Círculo de Prata, um anfiteatro natural de pedra bruta no topo do pico mais alto de Silver Moon, estava lotado. Centenas de lobos em suas formas humanas mantinham um silêncio absoluto, mas a pressão de sua presença era sufocante.
No centro do círculo, o fogo das tochas refletia no aço da adaga cerimonial que Caleb Ironwood segurava.
Lyra estava ajoelhada, os joelhos ardendo contra a rocha fria. Seu pulso direito latejava com uma luz suave e rítmica; a marca de nascimento, um desenho intrincado que lembrava uma lua envolta em espinhos, brilhava em resposta à presença de Caleb. Era o sinal. O destino havia falado. Ela era a Luna. A parceira destinada ao homem que agora a olhava como se ela fosse um inseto sob sua bota.
— Olhe para mim, Lyra — a voz de Caleb cortou o ar, fria e desprovida de qualquer vestígio do carinho que ele fingira durante a infância.
Lyra levantou o rosto. Seus olhos cinzentos estavam inundados de lágrimas que ela se recusava a deixar cair.
— Caleb, por favor... — ela sussurrou, a voz falhando. — O vínculo... você sente, não sente?
Caleb deu um passo à frente, a mandíbula travada. Ele não olhou para o brilho no pulso dela. Em vez disso, voltou-se para a multidão, sua voz assumindo o tom autoritário de um Alfa que exige obediência.
— Uma alcateia é tão forte quanto o seu elo mais fraco! — ele gritou, e o som reverberou pelas montanhas. — Como posso liderar vocês para a glória com uma fêmea que não consegue sequer invocar sua loba? Como posso garantir herdeiros poderosos se o destino me entrega um pedaço de vidro quebrado?
Um murmúrio de aprovação percorreu os espectadores. Selina, postada logo atrás de Caleb, exibiu um sorriso cruel, cruzando os braços sobre o peito.
Caleb voltou-se para Lyra e ergueu a adaga.
— Eu, Caleb Ironwood, herdeiro do título de Alfa de Silver Moon, nego o julgamento da Deusa da Lua. Eu nego o sangue. Eu nego o laço.
— Não! — O grito de Lyra foi abafado por um som ensurdecedor. Não foi um som físico. Foi o som de algo se estilhaçando dentro de seu peito.
Quando Caleb desceu a adaga, cortando o ar entre eles em um movimento em cruz, o brilho no pulso de Lyra explodiu em uma luz ofuscante antes de se apagar completamente, deixando para trás uma cicatriz cinzenta e morta. A agonia física foi instantânea. Lyra arqueou o corpo, sentindo como se suas veias estivessem sendo preenchidas com chumbo derretido. O vínculo, a conexão que deveria ser sua força, foi arrancado de sua alma, deixando um vácuo negro e frio.
Caleb guardou a adaga e limpou as mãos, como se tivesse acabado de tocar em algo sujo.
— Você não é minha Luna. Você não é nada.
Ele se aproximou e, com um movimento rápido do pé, atingiu o ombro de Lyra, derrubando-a na neve suja.
— Guardas! Levem este lixo para a fronteira das Terras Esquecidas. Se a morte a quiser, que a leve. Silver Moon não tem lugar para os inúteis.
Enquanto era arrastada pelos braços, Lyra viu Caleb envolver a cintura de Selina. Ela tentou lutar, tentou gritar, mas a voz morreu na garganta. Sua visão escureceu, mas a última coisa que viu antes da névoa das terras proibidas a engolir foi a lua cheia, que agora parecia zombar dela, vermelha como o sangue que ela deixava para trás na neve.
O estalo do meu amuleto de infância sendo esmagado pela bota de Selina ecoou mais alto do que qualquer trovão. Aquele pequeno pedaço de vidro verde, que eu guardara como uma relíquia de um tempo em que o amor parecia possível, transformou-se em poeira sob o peso do desdém dela. Foi o último fio que me prendia à garota que eu costumava ser. No momento em que ele se partiu, algo dentro de mim também se rompeu, mas não foi um colapso. Foi uma libertação.A barreira do Vale dos Diamantes Esquecidos desapareceu com um gemido metálico, e o frio da praga de Caleb invadiu o santuário. A luz branca e pura que antes emanava das paredes começou a vacilar, sufocada pela névoa negra que saía da Chave das Sombras.— Lyra, afaste-se da bacia! — Malakai gritou.Ele tentou avançar, mas o esforço foi demais. O veneno de Selina ainda agia em seu sangue, e ele caiu de um joelho, usando a espada como apoio. A imagem dele, o Alfa das Sombras, diminuído por minha causa, enviou uma onda de calor pelo
O ar dentro da fenda que levava ao Vale dos Diamantes Esquecidos não era frio, mas vibrava com uma eletricidade estática que fazia cada poro do meu corpo formigar. Olhei para trás uma última vez. No alto do cânion, a silhueta de Caleb parecia uma mancha de tinta preta contra o céu arroxeado. Ele não se moveu, mas eu podia sentir o peso do seu olhar, uma âncora de possessividade e fúria que ainda tentava se prender ao vazio no meu peito.— Não olhe para ele — a voz de Malakai soou baixa, quase um comando, mas carregada de uma preocupação que ele raramente deixava transparecer. — Ele não tem mais poder sobre você, Lyra. A menos que você o deixe entrar.Eu me virei, respirando o ar carregado de ozônio. Malakai estava pálido, a mão pressionando o peito onde a substância negra de Selina havia deixado uma marca, mas seus olhos âmbar permaneciam fixos no caminho à frente.— O que é esse lugar, Malakai? — perguntei, minha voz ecoando nas paredes de rocha translúcida que agora nos cercavam.
O calor da mão de Malakai era a única coisa que me impedia de desmoronar enquanto descíamos pela vertente oposta da montanha. O céu de 1980 estava estranho; as nuvens tinham uma coloração arroxeada, quase doentia, e o vento carregava um cheiro de ozônio e terra revirada. A fuga da gruta tinha sido silenciosa e urgente. Selina voltaria com reforços, e Malakai sabia que nossa vantagem era temporária.Cada músculo do meu corpo protestava. A explosão de energia que usei contra Selina tinha deixado um rastro de letargia nos meus ossos, como se o cristal tivesse drenado a própria medula para brilhar.— Estamos perto? — perguntei, minha voz mal passando de um sussurro.Malakai parou, seus olhos âmbar vasculhando a linha das árvores abaixo de nós. Ele parecia um predador em seu elemento natural, mas havia uma tensão em seu maxilar que me dizia que ele estava preocupado.— Perto do limite — ele respondeu, voltando-se para mim. Ele limpou um rastro de fuligem do meu rosto com o polegar. O toque
A mão de Selina era fria, mas não era o frio da neve que eu vinha enfrentando nas Terras Esquecidas. Era um frio seco, sem vida, como se o sangue dela tivesse parado de circular há muito tempo. O cheiro dela — um perfume caro de jasmim que eu lembrava de sentir nos corredores da Casa Grande, agora misturado com o odor de ferro e podridão — me deu náuseas.— Shh... — ela sussurrou, e eu senti o sorriso dela contra a minha têmpora. — Você sempre foi tão silenciosa, Lyra. Por que mudar isso agora?Eu lutei. Tentei morder a mão dela, tentei me desvencilhar, mas a força de uma loba de linhagem pura, mesmo sob a influência da praga, era infinitamente superior à minha. Meus olhos estavam fixos em Malakai. Ele estava caído perto da entrada, a respiração ruidosa e difícil. Aquela substância negra em seu peito parecia uma teia de aranha viva, pulsando e se expandindo. Ele, que parecia um deus de carvalho e aço, agora parecia tão vulnerável quanto eu.— O que você fez com ele? — consegui m
O frio das Terras Esquecidas não era como o inverno comum que eu conhecia em Silver Moon. Era um gelo que parecia vir de dentro da terra, subindo pelas solas das minhas botas e se alojando diretamente no meu peito, onde o vácuo deixado por Caleb ainda latejava. Cada passo que eu dava atrás de Malakai era uma luta contra a exaustão. Meus músculos gritavam, e a adrenalina que me manteve viva durante o ataque de Caleb na mina estava desaparecendo, deixando para trás um rastro de tremores e náusea.Malakai não parava. Ele se movia pela encosta íngreme como se a escuridão fosse sua aliada natural. Ele não olhava para trás, mas eu sentia sua consciência focada em mim, como se ele estivesse rastreando o ritmo da minha respiração curta e errática.— Só mais um pouco, Lyra — ele disse, a voz rouca cortando o vento uivante. — Se pararmos agora, o suor vai congelar no seu corpo e você não vai conseguir se levantar de novo.— Eu não... eu não sei se consigo — confessei, tropeçando em uma ped
A luz fluorescente do estacionamento subterrâneo oscilou, emitindo um zumbido elétrico que parecia arranhar o fundo dos olhos de Kenya. O frio não era gradual; ele a atingiu como uma parede sólida, uma massa de ar estagnada que cheirava a metal e a lugares onde o sol nunca ousara tocar.Kenya congelou com a mão na maçaneta do carro. O vapor de sua respiração saía em nuvens brancas e densas, e o silêncio que se seguiu foi tão absoluto que ela podia ouvir o estalo do gelo se formando nas tubulações do teto.— Bit... — ela tentou chamar pelo chip neural, mas sua mente encontrou apenas um vácuo estático. O sistema de comunicação havia sido derrubado. Ela estava sozinha.— Não chame por eles. Eles não podem ouvir o que o gelo silencia.A voz veio da penumbra, entre duas colunas de concreto. Era uma voz que parecia vir de uma era distante, carregada de uma cortesia sombria e uma autoridade que fazia o sangue de Kenya gelar por instinto. Eric Von Draken emergiu da escuridão.Ele não cam
Último capítulo