O SACRIFÍCIO DA LUNA
O SACRIFÍCIO DA LUNA
Por: Charles Wilde
PRÓLOGO

"O tempo não pertence a quem o vigia ou a quem o tenta consertar; o tempo pertence a quem está disposto a sangrar por um único segundo de liberdade."

                                                                — Malakai Blackwood

  O vento da montanha uivava como uma fera ferida, cortando a pele de Lyra através da túnica fina e branca. O Círculo de Prata, um anfiteatro natural de pedra bruta no topo do pico mais alto de Silver Moon, estava lotado. Centenas de lobos em suas formas humanas mantinham um silêncio absoluto, mas a pressão de sua presença era sufocante.

No centro do círculo, o fogo das tochas refletia no aço da adaga cerimonial que Caleb Ironwood segurava.

Lyra estava ajoelhada, os joelhos ardendo contra a rocha fria. Seu pulso direito latejava com uma luz suave e rítmica; a marca de nascimento, um desenho intrincado que lembrava uma lua envolta em espinhos, brilhava em resposta à presença de Caleb. Era o sinal. O destino havia falado. Ela era a Luna. A parceira destinada ao homem que agora a olhava como se ela fosse um inseto sob sua bota.

— Olhe para mim, Lyra — a voz de Caleb cortou o ar, fria e desprovida de qualquer vestígio do carinho que ele fingira durante a infância.

Lyra levantou o rosto. Seus olhos cinzentos estavam inundados de lágrimas que ela se recusava a deixar cair.

— Caleb, por favor... — ela sussurrou, a voz falhando. — O vínculo... você sente, não sente?

Caleb deu um passo à frente, a mandíbula travada. Ele não olhou para o brilho no pulso dela. Em vez disso, voltou-se para a multidão, sua voz assumindo o tom autoritário de um Alfa que exige obediência.

— Uma alcateia é tão forte quanto o seu elo mais fraco! — ele gritou, e o som reverberou pelas montanhas. — Como posso liderar vocês para a glória com uma fêmea que não consegue sequer invocar sua loba? Como posso garantir herdeiros poderosos se o destino me entrega um pedaço de vidro quebrado?

Um murmúrio de aprovação percorreu os espectadores. Selina, postada logo atrás de Caleb, exibiu um sorriso cruel, cruzando os braços sobre o peito.

Caleb voltou-se para Lyra e ergueu a adaga.

— Eu, Caleb Ironwood, herdeiro do título de Alfa de Silver Moon, nego o julgamento da Deusa da Lua. Eu nego o sangue. Eu nego o laço.

— Não! — O grito de Lyra foi abafado por um som ensurdecedor. Não foi um som físico. Foi o som de algo se estilhaçando dentro de seu peito. 

Quando Caleb desceu a adaga, cortando o ar entre eles em um movimento em cruz, o brilho no pulso de Lyra explodiu em uma luz ofuscante antes de se apagar completamente, deixando para trás uma cicatriz cinzenta e morta. A agonia física foi instantânea. Lyra arqueou o corpo, sentindo como se suas veias estivessem sendo preenchidas com chumbo derretido. O vínculo, a conexão que deveria ser sua força, foi arrancado de sua alma, deixando um vácuo negro e frio.

Caleb guardou a adaga e limpou as mãos, como se tivesse acabado de tocar em algo sujo.

— Você não é minha Luna. Você não é nada.

Ele se aproximou e, com um movimento rápido do pé, atingiu o ombro de Lyra, derrubando-a na neve suja.

— Guardas! Levem este lixo para a fronteira das Terras Esquecidas. Se a morte a quiser, que a leve. Silver Moon não tem lugar para os inúteis.

Enquanto era arrastada pelos braços, Lyra viu Caleb envolver a cintura de Selina. Ela tentou lutar, tentou gritar, mas a voz morreu na garganta. Sua visão escureceu, mas a última coisa que viu antes da névoa das terras proibidas a engolir foi a lua cheia, que agora parecia zombar dela, vermelha como o sangue que ela deixava para trás na neve.

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