— Você realmente achou que eu aceitaria uma fêmea que nem sequer consegue rosnar? As palavras de Caleb foram baixas, destinadas apenas aos meus ouvidos, mas tiveram o impacto de um canhão. Estávamos a poucos metros do centro do Círculo de Prata, sob a sombra dos carvalhos centenários que guardavam os segredos da alcateia. A brisa da noite trazia o cheiro de terra úmida e o odor pungente de centenas de lobos ansiosos. Eu parei, meu coração dando um solavanco violento contra as costelas.— Caleb... — minha voz saiu como um sopro, trêmula. — A cerimônia vai começar. Todo mundo está esperando. Por favor, não faz isso aqui.Eu olhei para ele, implorando com os olhos por um lampejo de humanidade, por qualquer sombra daquele menino que um dia poliu um pedaço de vidro verde para mim. Mas o homem à minha frente era um estranho esculpido em granito. Seus olhos azuis, sob a luz das tochas, pareciam duas poças de água gelada, sem fundo e sem misericórdia.— Olhe para eles, Lyra — ele disse,
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