A sala estava escura, iluminada apenas pela tela do computador.
Ashiley tinha as mãos entrelaçadas, tremendo, enquanto Gustavo ficava ao lado dela, a postura rígida, como um animal prestes a atacar.
Heitor colocou o vídeo para rodar.
A imagem era mais recente.
A qualidade melhor.
O som mais nítido.
Uma sala branca.
Cadeira acolchoada.
Câmera num canto.
Ashiley sentiu a garganta fechar.
— Eu… já estive aqui — murmurou.
Gustavo olhou para ela de lado.
— Onde?
Ela balançou a cabeça.
— Eu não sei… mas eu lembro.
Pausa.
— Ou… acho que lembro.
O vídeo continuou.
A porta se abriu.
E entrou ela.
Ashiley.
Mais jovem.
O cabelo preso de qualquer jeito.
Olheiras profundas.
Olhos vermelhos.
Uma versão dela mesma quebrada.
— Meu Deus… — ela sussurrou, cobrindo a própria boca.
A Ashiley do vídeo sentou na cadeira e começou a chorar antes mesmo de alguém falar qualquer coisa.
E então… entrou outra pessoa.
Laura.
Mais nova.
Já fria.
Já calculada.
Gustavo recuou um passo, como se visse uma cena de crim