Os dias seguintes passaram de um jeito diferente.
Não havia tensão constante. Não havia alerta no olhar de Gustavo nem aquele aperto antigo no peito de Ashiley. Pela primeira vez, eles estavam vivendo algo que não precisava ser defendido o tempo todo.
A rotina começou a se formar quase sem perceberem.
Ashiley acordava primeiro. Sempre. Gostava de observar Gustavo dormindo, o rosto relaxado, o braço jogado sobre o travesseiro como se o mundo não tivesse mais nada a exigir dele. Às vezes ficava ali alguns minutos, apenas respirando o mesmo ar, sentindo aquela tranquilidade rara.
Naquela manhã, ela levantou em silêncio e foi para a cozinha. Preparou café, cortou frutas, organizou a mesa pequena da varanda. Não era nada sofisticado. Era simples. E talvez por isso mesmo fosse tão bom.
Gustavo apareceu alguns minutos depois, descalço, camisa amassada, o cabelo ainda bagunçado.
— Você foge da cama muito cedo — ele disse, encostando no batente da porta.
— Eu não fujo — ela respondeu, sorrindo