O dia avançou sem pressa, como se o tempo tivesse aprendido a respeitar o ritmo deles. A manhã silenciosa se transformou em tarde clara, e Ashiley percebeu que já não sentia a urgência de se defender do mundo. Havia algo novo ali. Não era euforia. Era firmeza.
Gustavo passou boa parte da tarde resolvendo assuntos pendentes no escritório improvisado do apartamento. Não fechou a porta. Deixou o espaço aberto, como se quisesse que ela estivesse incluída até nos silêncios de trabalho. Ashiley ficou no sofá, lendo, observando de longe a forma concentrada com que ele lidava com números, mensagens e decisões. De vez em quando, ele levantava os olhos e sorria para ela. Um sorriso pequeno, cúmplice. O suficiente para lembrá-la de que não estava sozinha.
Quando ele terminou, se aproximou por trás e apoiou as mãos nos ombros dela.
— Cansada? — perguntou.
— Tranquila — ela respondeu. — Isso é novo pra mim.
Ele riu baixo.
— Pra mim também.
Foram caminhar no fim da tarde. Sem seguranças. Sem anúnci