Mundo ficciónIniciar sesiónPOV GABRIEL BLACKWOLF
Saí do saguão com o gosto da vitória na boca, mas com uma inquietação no peito que eu me recusava a analisar. Jade estava de volta. Ela estava ali, radiante, viva, a promessa de um futuro que me foi roubado há sete anos. Eu consertaria tudo. Eu teria a vida que planejei antes daquele erro desastroso. Mas, para construir o novo, eu precisava demolir o velho. Caminhei até o escritório reservado para os Alfas, puxando meu celular do bolso com urgência. Abri o arquivo que os advogados me enviavam há uns dias, esperando apenas o meu aval. O documento de divórcio. Júlia queria isso, não queria? Ela não tentou se matar para fugir de mim? A imagem dela com o buraco no peito no restaurante brilhou na minha mente, e uma onda de raiva quente subiu pela minha garganta. Se ela queria tanto ir embora a ponto de morrer, então eu daria o que ela queria. Rolei a tela até o final. A assinatura digital dela não estava lá — ela não teve tempo de assinar, mas eu tinha o poder de dissolver a união unilateralmente dada a "instabilidade" dela. Assinei com o polegar, validando a biometria de Alfa. Enviado. A confirmação piscou na tela. Acabou. O vínculo legal estava desfeito. Ela estava livre. E eu... eu estava livre para Jade. Guardei o celular, sentindo uma leveza estranha, quase tonta. Eu precisava avisá-la. Precisava olhar na cara dela e dizer que ela não precisava mais tentar se matar para sair da minha vida. Voltei para a área externa, meus olhos varrendo o jardim como um predador. O sol estava alto, ofensivo. Vi meus filhos brincando, alheios ao fato de que o pai acabara de quebrar a família no papel. Ignorei a pontada de culpa. Era melhor assim. Foi quando a vi. Júlia caminhava em direção à trilha da praia, afastada da festa, segurando uma garrafa de vodka pela metade. Ela andava descalça na grama, o vestido claro esvoaçando, parecendo um espectro de dor e beleza. A raiva explodiu de novo. Ela estava bebendo? Depois de quase morrer? Depois de envergonhar a todos nós? Avancei em direção a ela, cortando o caminho. Quando ela me viu, tentou desviar, tentou fugir como sempre fazia. — Vamos conversar — ordenei, bloqueando a passagem dela. — Não temos o que conversar — ela rebateu, tentando passar por mim. O cheiro de vodka nela se misturava ao cheiro natural de limão e baunilha, e aquela combinação foi o gatilho. Eu não pensei. Meu braço se moveu sozinho, interceptando-a, segurando-a com força contra o meu peito duro. — Gabriel, me solta! — ela gritou, se debatendo. Eu não ia soltar. Não ali, onde qualquer um podia ver. Arrastei-a de volta para a mansão, surdo aos protestos dela, cego para a dor que eu causava no braço dela. Eu precisava encurralá-la. Chutei a porta da sala de estudos e a joguei para dentro. O som da tranca girando foi o único aviso que ela teve. Ela se afastou, massageando o pulso, o peito subindo e descendo com uma fúria que deixava aqueles olhos amarelos brilhantes. — O que foi aquilo lá fora? — avancei, encurralando-a contra a mesa de carvalho. — Vai encher a cara e se machucar de novo? Vai se esconder se fazendo de vítima ? — Eu não estava me escondendo, eu só queria paz! — ela gritou, e havia fogo nela. Eu odiava o quanto aquele fogo me atraía. — Você não tem direito a paz, Júlia. — Cheguei mais perto, invadindo o espaço dela, sentindo o calor febril que emanava da pele dela. — Mas você conseguiu o que queria. Ela travou, me olhando confusa e amedrontada. — Do que você está falando? Tirei o celular do bolso e joguei sobre a mesa, com a tela aberta no documento. — O divórcio. Eu assinei. Acabei de enviar para os advogados e só falta a sua assinatura. — Minha voz era fria, cortante, mas meu coração batia num ritmo violento e errado. — Você está livre, Júlia. Não precisa mais tentar se matar para fugir de mim. Acabou. Eu esperava alívio no rosto dela. Esperava gratidão. Mas o que vi foi choque, e depois... uma dor crua que me desestabilizou. — Você... você assinou? — ela sussurrou, a voz falhando. — Era o que você queria, não era? — rosnei, me aproximando mais, até que minhas coxas tocassem as dela, prendendo-a na mesa. — Agora você pode ir embora. Pode sumir. Eu tenho a Jade. Eu tenho a mulher que eu sempre quis. Eu esperei o choque. Eu pensei que veria lágrimas, como vi mais cedo. Eu estava pronto para vê-la desabar. Mas o que vi me deixou louco. Ela começou a rir. Bem na minha cara. Rir de verdade, de colocar a mão na barriga. Eu a sacudi, tentando fazer aquele sorriso de escárnio desaparecer, mas ela continuou me encarando, os olhos amarelos brilhando com uma lucidez assustadora. — Você se acha tão esperto, mas é tão previsível, sabia? — ela perguntou, a voz ainda trêmula pelo riso, mas afiada como uma lâmina. — Você acha que assinar um papel muda o fato de que você é um covarde hipócrita? Você corre para a Jade como um cachorrinho, mas não consegue ficar cinco minutos sem me tocar. Aquilo foi o limite. A verdade na voz dela era um insulto que eu não podia aceitar. — Cala a boca — avisei, aproximando meu rosto do dela. — Me obrigue — ela desafiou, erguendo o queixo, o cheiro de vodka e desafio emanando dela. — Eu odeio você — sussurrei, a respiração batendo contra a boca dela, densa e pesada. — Eu odeio a sua ousadia. — Você é patético — ela provocou. Eu não a soltei. Em vez disso, esmaguei minha boca na dela. O beijo não foi suficiente. Nunca seria. O gosto de vodka e fúria na boca dela agiu como gasolina no incêndio que eu tentava apagar há sete anos. Minhas mãos, que deveriam empurrá-la, desceram para a cintura dela, apertando a carne macia através do tecido fino do vestido. Eu a arrastei da mesa, ignorando os protestos abafados contra a minha boca. Meus passos eram cegos, guiados apenas pela necessidade de tê-la em uma superfície onde eu pudesse quebrá-la do jeito que eu queria. Chegamos ao sofá de couro escuro no canto da sala. Eu a joguei ali, seguindo-a imediatamente, cobrindo o corpo pequeno dela com o meu peso esmagador. — Você é minha — rosnei contra o pescoço dela, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha. Minhas mãos eram donas dela. Elas subiram pelas coxas, puxando o vestido para cima, sentindo a pele quente e febril que eu desprezava amar tanto. O cheiro dela... de limão, baunilha e agora essa excitação crua... invadiu meus pulmões, me deixando embriagado. Eu queria senti-la. Pele contra pele. Sem barreiras. Meus dedos foram para a alça do vestido, prontos para rasgá-lo se fosse preciso. Eu estava perdido, mergulhado na escuridão do meu próprio desejo. PLAFT! O estalo foi alto, seco e ardeu como o inferno. Meu rosto virou para o lado com a força do impacto. O choque me fez parar por um segundo, piscando para dissipar a névoa vermelha da luxúria. — Au! Por que você me...? — comecei, a mão indo ao rosto. — Seu babaca! — ela gritou, os olhos amarelos faiscando de um ódio genuíno. — Você não tem mais direito de me tocar! E antes que eu pudesse processar, a mão dela voou novamente. PLAFT! O segundo tapa foi mais forte. — Aí! Para com isso! — rugi, o instinto de predador assumindo o controle. Eu capturei os pulsos dela no ar antes que ela pudesse me bater pela terceira vez. Com um movimento bruto, levei os braços dela para cima da cabeça, prendendo-os contra o couro do sofá com uma única mão. Usei meu corpo para travar as pernas dela, imobilizando-a completamente. Ela se contorceu debaixo de mim, arqueando as costas, tentando se soltar. O movimento dos quadris dela contra os meus foi elétrico. Em vez de me parar, a luta dela só acendeu mais ainda o meu desejo. Eu podia sentir meu membro rígido na calça esfregando na macieis quente do centro dela, que já estava molhada por mim. Eu solto um rosnado de prazer. Olhei para o rosto dela. Era pura fúria. As bochechas coradas, os lábios inchados pelo meu beijo, o peito subindo e descendo freneticamente. — Me solta, Gabriel! — ela sibilou, debatendo-se inutilmente contra minha força de Alfa. — Não ouse me tocar! Eu não te quero mais! Eu parei. O som da respiração ofegante dela preencheu a sala. Um sorriso lento, arrogante e perigoso curvou meus lábios enquanto eu sentia o coração dela martelar contra o meu peito, traindo cada palavra que ela dizia. — Não é isso que seu corpo está me dizendo — falei, minha voz um sussurro sombrio. Baixei meu rosto, roçando o nariz no pescoço dela, sentindo-a tremer — não de medo, mas da mesma atração maldita que nos acorrentava. — Você diz que não me quer, Júlia... — deslizei a mão livre pela lateral do corpo dela, apertando sua cintura com posse. — Mas você está queimando por mim. Exatamente como eu estou queimando por você. Não esperei pela resposta dela.






