Helena
O mundo ainda cheira a fumaça. Aos poucos, o som das sirenes diminui, a confusão dos bombeiros fica distante, e ficamos só nós dois, sentados na traseira da ambulância, envoltos em cobertores térmicos que tremem junto com nossos corpos. A mão de Felipe está na minha.
Quente. Tremendo. Suja de sangue — dele — e fuligem — nossa. Mas ele está ali comigo, e é isso que importa. Adrian mais uma vez tentou nos destruir, mas ele não conseguiu. Sabe por quê? Porque um amor verdadeiro como o de Felipe e o meu, não existe nada nesse mundo que destrua. Eu não consigo soltar a mão de Felipe e ele também não tenta. Sinto o oxigênio ainda preso ao meu nariz, o gosto amargo da fumaça raspando minha garganta, mas nada se compara ao que sinto quando olho para ele. O meu amor está vivo. Ele está aqui. Ele voltou por mim. E essa constatação me golpeia mais forte do que a queda do teto do galpão.
— Helena… olha pra mim.
Eu olho.
Felipe parece cansado, queimado em alguns pontos, um corte acima da s