Felipe Diniz
Aquele silêncio tem sempre o mesmo gosto: antes da bomba. A pausa que denuncia o que foi quebrado sem barulho. Aprendi a ler esses sinais — o olhar que foge, a palavra mastigada demais e o perfume que some da cama. Pequenos erros que denunciavam um segredo grande demais.
O lado dela vazio foi uma declaração. O travesseiro frio, o lençol sem marca — ela saiu. Sem aviso. Sem rastro. E onde Helena vai sem avisar é um nome que eu já sei decifrar: Lucas.
A primeira reação é fogo puro. N