Adrian Navarro
Eu não perco o controle. Ou melhor: não perdia. Homens como eu não nascem com direito ao amor, à paz ou à redenção. Nós herdamos apenas dois luxos — dois pilares que sustentam o império, a reputação, o medo que inspira nossa presença: o poder… e o silêncio. O poder para mover mundos. O silêncio para destruir sem levantar a voz. Esses dois elementos são minha espinha dorsal. Minha assinatura. Minha garantia de que nada — absolutamente nada — consegue me atingir.
Mas naquela manhã?
Naquela manhã, os dois ruíram. Não em queda lenta. Não como rachaduras discretas. Mas como vidro arremessado contra pedra, estilhaçando em um estalo seco que ainda ecoa dentro de mim. E o pior? Eu senti a quebra. Não veio do mercado. Não veio do governo. Não veio dos meus inimigos corporativos. Veio de mim. Uma fissura interna. Uma falha estrutural. O tipo de ruptura que transforma um predador em algo ainda pior — algo sem limites, sem freios, sem retorno. Porque quando um homem como eu perde p