Helena
Eu sempre achei que o pior som do mundo fosse o da ameaça explícita. A palavra dita, o aviso direto, o tom elevado que anuncia perigo. Descobri que existe outro som — infinitamente mais devastador. O som do mundo desmoronando devagar. Não de uma vez, não em explosão. Mas em estalos sutis, quase educados, como se a realidade estivesse pedindo licença antes de cair.
Quando Felipe atacou, ele atacou como alguém que conhece o inimigo por dentro. Como quem estudou cada falha, cada rachadura, cada ponto sensível. Não houve impulso. Houve método. Vazamentos milimetricamente calculados. Documentos liberados na ordem certa. A coletiva no horário exato. A exposição pública feita como uma sentença irrevogável. O nome de Adrian Navarro começou a ruir diante do mundo como um prédio condenado — primeiro a estrutura interna, depois as fachadas, até restar só o pó.
E, ainda assim… Adrian não correu.
Isso foi o que mais me assustou.
Ele reagiu. Não como um empresário encurralado. Não como um CE