Felipe
O calor das chamas chega primeiro. Como um tapa. Como uma ameaça. Depois vem o estouro — seco, brutal — e o galpão inteiro parece tremer por dentro, como se os ossos de ferro estivessem rangendo de dor. O cheiro de gasolina e fumaça se mistura ao gosto metálico da tensão na minha boca.
— Helena! — minha voz se perde no rugido crescente do fogo.
Ela está próxima a uma viga caída, a alguns metros de mim. O fogo avança pelas paredes com pressa de matar.
Corro até ela. Uma coluna em chamas cai entre nós, violentamente.
— Felipe! — ela grita, tossindo. — Eu… eu achei que você não vinha…
— Não existe universo em que eu te deixaria aqui. Nem um. — falo, meu peito ardendo com mais do que fumaça.
Quando tento dar a volta, vejo. O tornozelo dela está preso sob um bloco de concreto e ferro.
— Droga… Helena… — ajoelho ao lado dela.
Ela segura meu rosto com a mão trêmula, suja de fuligem.
— Não fica aqui. Vai.
— Você enlouqueceu? — eu rosno. — Nem morto eu te deixo.
— Felipe… o fogo… — ela