Helena
A sala do conselho da Diniz Cosmetics sempre foi imponente, mas naquela manhã ela parecia maior. Mais fria. Mais exigente. A mesa oval de madeira escura ocupava o centro como um altar corporativo. Doze cadeiras de couro, perfeitamente alinhadas, aguardavam seus ocupantes como juízes silenciosos. As paredes revestidas em painéis acústicos abafaram o som da cidade, criando um isolamento quase cerimonial — ali dentro, o mundo externo não existia. Só decisões. Só verdades. Só consequências.
Eu caminhei ao lado de Felipe com passos firmes, ainda que o coração batesse rápido demais. Não era medo. Era memória. Cada metro percorrido naquele corredor carregava os ecos do que tentaram fazer com ele. Com nós dois.
Os conselheiros já estavam sentados quando entramos. Alguns rostos conhecidos. Outros, neutros demais para serem confiáveis. Olhares que variavam entre cautela, curiosidade e — em dois casos específicos — constrangimento. Aqueles haviam sido os primeiros a duvidar. Os primeiros