Helena
Existem medos que entram na pele como vento frio: não doem, mas avisam. Hoje… o vento está gelado demais. E não tem janela aberta.
Estou organizando relatórios na minha mesa quando sinto — não vejo, não ouço, eu sinto — que alguém está me observando.
É como um peso leve no ar, como o toque de um dedo invisível percorrendo minha nuca.
Levanto o olhar discretamente. Não vejo ninguém. Mas a sensação não vai embora. Ao contrário: ela se espalha. É quase uma presença. Uma sombra. Um passo