Mundo de ficçãoIniciar sessãoSasha
Enquanto trocamos os votos sob o céu aberto da capela, com o som suave das ondas ao longe e o perfume das flores gregas no ar, me vejo hipnotizada por ele. Cada palavra que ele pronuncia ecoa em minha mente, deixando-me ainda mais intrigada, mais perturbada. É como se a voz dele tivesse o poder de acalmar a tempestade que se agita dentro de mim, mesmo que eu não queira admitir. Mas, apesar da atração avassaladora que sinto, uma determinação silenciosa e feroz cresce dentro de mim. Prometo a mim mesma que não me deixarei levar por desejos da carne, não importa o quão difícil seja resistir à tentação que ele representa. Meu corpo pode reagir a ele, mas minha alma, meu coração, jamais se renderão. Eu sou Sasha, e minha promessa a Elena é inquebrável.
— Pode beijar a noiva. A voz do celebrante ecoa na capela, e um arrepio percorre minha espinha. Theós! Eu me esqueci que tinha essa parte. O beijo. O beijo que selaria essa farsa, esse contrato de conveniência. Meu coração martela contra as costelas, um tambor frenético que ameaça explodir. Uma mistura de pânico e uma curiosidade perigosa me invade. O que ele faria? Como seria o beijo do meu inimigo? Átila avança lentamente em minha direção, seus olhos fixos nos meus, como se estivesse me desafiando a desviar o olhar. Sinto-me presa em seu olhar penetrante, incapaz de desviar os olhos, de quebrar a conexão que se estabeleceu entre nós. Cada passo que ele dá é como uma aproximação inevitável de um destino que eu não tenho controle, um abismo para o qual estou sendo empurrada. Quando ele finalmente está diante de mim, sua mão toca suavemente meu rosto, e uma corrente elétrica percorre todo o meu corpo, enviando arrepios que me fazem tremer. Sinto-me tensa, cada músculo do meu corpo enrijecido, mas também curiosa sobre o que está por vir, sobre o sabor dos seus lábios, sobre a intensidade do seu toque. Seus lábios se aproximam dos meus lentamente, como se estivesse saboreando o momento, prolongando a expectativa, torturando-me com a antecipação. Então, seus lábios encontram os meus em um beijo que é ao mesmo tempo suave e intenso, uma contradição que me desarma. Sinto-me inundada por uma mistura de emoções conflitantes: desejo, incerteza, raiva, e uma estranha sensação de estar sendo consumida por algo maior do que eu mesma, algo que me arrasta para um território desconhecido e perigoso. O beijo termina, mas a sensação permanece, ecoando em cada fibra do meu ser, uma marca invisível que ele deixou em minha alma. Átila recua, seus olhos cinzentos brilhando com uma intensidade que me deixa sem palavras. É como se ele pudesse ler meus pensamentos, desvendar meus segredos mais profundos com apenas um olhar, e isso me apavora. Enquanto os convidados aplaudem ao nosso redor, um som distante e abafado, uma pergunta ecoa em minha mente, martelando em meus pensamentos: o que virá a seguir nessa jornada imprevisível que é o nosso casamento? Eu me sinto como uma peça em um jogo de xadrez, movida por forças maiores, mas juro a mim mesma que não serei uma peão fácil de ser controlada. À medida que a cerimônia avança e a festa começa, luto para manter minha compostura, para não deixar transparecer a tempestade que se agita dentro de mim. Sei que não posso me entregar completamente a ele, que não posso trair a memória de Elena, mas é difícil ignorar a eletricidade que percorre no meu interior, a atração inegável que sinto por esse homem que deveria ser meu inimigo. Encontro-me presa em um dilema entre seguir meu coração, que parece ter despertado para uma emoção perigosa, e manter minha promessa de não me render à paixão proibida que arde dentro de mim. A batalha é feroz, e eu não sei quanto tempo mais conseguirei resistir.






