A Festa

Átila

Após a cerimônia, que parece ter durado uma eternidade sob o peso dos olhares curiosos e das tradições milenares, seguimos finalmente para a recepção. É uma festa grandiosa, um espetáculo de opulência que transborda as paredes do salão, repleta de danças enérgicas e a música tradicional grega que corre em nossas veias. O som vibrante das liras e o tinido metálico dos bouzoukis preenchem o ar, criando um ambiente de celebração e uma alegria que, para muitos ali, é genuína. No entanto, apesar de todo o ambiente festivo e do brilho das luzes, minha mente está longe, focada obsessivamente no futuro e na responsabilidade colossal que acabo de assumir perante Deus e os homens.

Observo Sasha à distância, tentando decifrar o que passa por trás daqueles olhos verdes. Ela também parece estar em seu próprio mundo, tentando se adaptar a essa nova e estranha realidade de ser uma esposa por contrato. Sua beleza e graça são inegáveis, algo que se destaca mesmo no meio da multidão; mesmo rodeada por estranhos que a analisam como se fosse uma peça rara em um museu, ela mantém uma aura de serenidade que me intriga. Eu, por outro lado, sou atormentado por uma incerteza corrosiva sobre como proceder. Como ser um marido em um casamento de conveniência com alguém tão jovem, quase uma criança que foi arrancada de sua juventude para salvar um legado que nem é dela?

Sinto uma pontada de ansiedade ao pensar no nosso destino após a festa. Espero, do fundo do meu coração, que ela goste do nosso lar. É uma casa espaçosa, situada nos arredores da cidade, estrategicamente longe do tumulto impessoal do hotel e da vigilância constante do meu tio. É a propriedade que estou adquirindo com muito esforço, centavo por centavo, pois ainda sinto o peso das prestações mensais em meu orçamento. Mas ela possui um quintal amplo, um espaço generoso e seguro que imaginei ser perfeito para o pequeno Leo brincar e crescer.

Lá, existem árvores frutíferas que plantei com a esperança de colhermos juntos, e um jardim que, nesta época do ano, floresce em cores vibrantes, desafiando a monotonia da minha vida anterior. Essa casa não é apenas um imóvel; é uma promessa silenciosa de estabilidade e segurança. É algo que sempre almejei, um refúgio que construí com minhas próprias mãos para ser diferente da criação fria e cheia de dívidas emocionais que tive sob o teto de Petros.

Enquanto a música tradicional grega enche o ar, tornando-se quase ensurdecedora, minha mente continua a girar em um carrossel de preocupações. A celebração ao nosso redor é vibrante, com homens dançando o sirtaki e risadas que ecoam pelas paredes de mármore, mas a responsabilidade que agora carrego pesa em meus ombros como se eu carregasse o próprio Olimpo.

Volto meu olhar para Sasha novamente. Ela está deslumbrante em seu vestido, movendo-se com uma elegância natural, mas sei que, por trás desse semblante tranquilo, há uma batalha interna semelhante à minha, talvez até mais feroz. Ela é tão jovem, tão cheia de vida que ainda não foi vivida, e aqui estamos nós, unidos por um laço de ferro que nenhum de nós escolheu plenamente, mas que ambos aceitamos por amor a uma criança.

Fico imaginando Leo correndo por aquele quintal, entre as sombras das árvores, explorando cada canto do jardim. Quero que ele sinta o cheiro da terra molhada e a doçura das frutas colhidas do pé. Essa casa é minha tentativa desesperada de proporcionar a ele algo que eu nunca tive: um lar de verdade, um refúgio que simboliza a vida que sempre desejei, longe das sombras do passado e das expectativas esmagadoras da família Lykaios.

Mas, apesar de todos os meus planos e esforços, a incerteza ainda me atormenta, sussurrando dúvidas em meu ouvido. Como poderei construir uma vida sólida, uma família de verdade, em um casamento baseado puramente em conveniência e papel assinado? Como conviver diariamente com uma mulher que carrega suas próprias dores, fardos e, possivelmente, um ressentimento profundo por ter sido forçada a este destino?

A festa continua a todo vapor ao nosso redor, com pratos sendo quebrados e brindes sendo feitos à nossa "felicidade", mas minha alma está longe, vagando por um futuro incerto, buscando respostas para perguntas que eu ainda nem sei como formular. O peso do anel em meu dedo é um lembrete constante de que, a partir de hoje, nada mais será como antes. O jogo começou, e o prêmio é a vida de um menino inocente.

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