Início / Romance / O PREÇO DE UMA PROMESSA: SOB O DOMÍNIO DO GREGO / Aliança, a vontade que tenho é jogá-la dentro da privada e dar descarga.
Aliança, a vontade que tenho é jogá-la dentro da privada e dar descarga.

Sasha

Acordo com os primeiros raios de sol, afiados e persistentes, penetrando sem cerimônia pelas frestas das cortinas de linho. Meus olhos se abrem lentamente, lutando contra a claridade excessiva da Grécia, e por um momento longo e desorientado, não tenho a menor certeza de onde estou. O teto é alto demais, as paredes são de um tom de branco que eu não reconheço. Passo a mão pela cama imensa, sentindo o toque frio dos lençóis de algodão egípcio, e de repente a realidade me atinge como um soco no estômago. Sento-me rapidamente, o coração dando um solavanco, enquanto a lembrança vívida da noite passada paira no ar como uma sombra invisível e opressora.

Respiro fundo, tentando organizar o caos dentro de mim. Sinto a tensão acumulada nos meus músculos, um cansaço que vai além do físico, e a fadiga emocional que ainda pesa sobre meus ombros como uma capa de chumbo. Ontem eu descobri algo terrível, algo que vai contra todas as minhas expectativas e defesas: Átila me afeta profundamente. E o pior de tudo é que não é apenas a raiva legítima ou o desprezo que eu deveria sentir por um Lykaios. É algo visceral, uma frequência elétrica que eu não consigo explicar e muito menos controlar. A simples presença dele faz meu coração disparar em um ritmo perigoso, e toda vez que ele sorri daquela maneira provocativa e arrogante, meu sangue ferve. E eu sei, com uma vergonha lancinante, que não é apenas de cólera.

Olho para a aliança grossa de ouro branco no meu dedo anelar, um símbolo reluzente da minha prisão. Retiro-a com um gesto de puro desprezo e, esticando o braço com uma careta, a deposito sobre o criado-mudo de madeira escura. Estou sendo excepcionalmente boazinha hoje, pois a vontade real que queima em minhas mãos é jogá-la dentro da privada e dar a descarga mais longa da história, vendo aquele metal caro desaparecer no esgoto.

Levanto-me da cama com um gemido baixo, os pés tocando o chão de madeira que ainda está frio. Estico meu corpo, sentindo cada articulação protestar. Preciso estar pronta, armada e blindada para enfrentar o que quer que este dia reserve. Visto meu robe de seda e caminho em direção ao banheiro com passos decididos. Lá, encaro o espelho sem piedade, observando meu reflexo sob a luz implacável da manhã. Meus olhos estão marcados pelo cansaço e pela noite mal dormida, mas há uma determinação renovada em meu olhar, um brilho de aço. Tenho um objetivo claro, uma missão de sobrevivência, e não vou permitir que nada — nem mesmo a minha própria biologia traidora — me distraia disso: manter as mãos de Átila Lykaios bem longe de mim.

A água gelada que jogo contra o rosto ajuda a dissipar a névoa remanescente do sono e a acalmar o calor que sobe pelo meu pescoço só de pensar nele. Volto para o quarto e meu olhar é inevitavelmente atraído pela aliança de ouro branco que repousa, solitária e cínica, sobre o móvel. Ajo ao contrário do meu impulso inicial de destruição e, com um suspiro de derrota pragmática, coloco-a novamente no dedo. Lembro-me, com um aperto no peito, que meus pais virão aqui hoje para conhecer a casa oficialmente e, o mais importante, trazer o Leo. Preciso manter as aparências, pelo menos por enquanto.

Passo os minutos seguintes me preparando como se estivesse indo para uma batalha. Aplico uma maquiagem leve, apenas o suficiente para esconder as olheiras e os sinais de exaustão, e escolho uma roupa que seja confortável, mas funcional para o dia que promete ser longo. Antes de descer para o café, resolvo descarregar minha energia nervosa arrumando todas as minhas roupas no closet. Organizo cada peça por cor e tecido, um exercício de controle em um mundo que parece estar desmoronando. A cama? Essa eu arrumo depois, ou talvez deixe para lá, como um pequeno ato de rebeldia doméstica.

Finalmente, abro a porta do quarto e caminho em direção à cozinha. Preciso de café, e preciso de muita cafeína para enfrentar o que está por vir. No caminho, passo pela porta do quarto de Átila e, graças a Theós, ela permanece fechada. Um alívio momentâneo passa por mim ao saber que ele está do outro lado daquela madeira, e não aqui, perto demais, invadindo meu espaço pessoal com seu cheiro e sua arrogância. O silêncio do corredor é reconfortante, um breve momento de paz antes da tempestade que eu sei que virá assim que ele despertar.

Quando chego à cozinha, o silêncio é quase palpável, pesado e denso. A ausência de Leo deixa a casa ainda mais vazia, um casarão sem alma, e a realidade do que preciso enfrentar hoje torna-se mais nítida sob a luz clara da manhã. Respiro fundo, tentando encontrar forças na calma temporária do ambiente, enquanto coloco a água para ferver. O jogo recomeça agora.

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