Pov Átila

Semanas se arrastaram, cada dia mais pesado que o anterior, desde que meu tio Petros me impôs a ideia absurda de um casamento arranjado. As famílias, em sua sabedoria ancestral e pragmatismo frio, escolheram a Grécia como o cenário para essa farsa, com suas tradições culturais envolvendo a cerimônia em um manto de riqueza e significado que, para mim, parecia apenas uma camada de verniz sobre uma transação comercial. Eu, Átila Megalos, acostumado à liberdade e à minha própria independência, estava prestes a me casar com uma desconhecida, uma menina, para ser mais exato. A ironia era cruel. Apenas ouvi sussurros sobre sua idade, sua beleza e a tragédia que a trouxe até nós. Somente agora, parado diante do altar, sob o sol grego que banhava a capela com um dourado quase místico, é que a vejo pela primeira vez.

Ela surge no final do corredor, e o mundo ao meu redor parece emudecer. Está deslumbrante em seu vestido branco, um tecido que parece abraçar suas curvas jovens com uma delicadeza quase etérea, iluminada pelos raios dourados do sol grego que filtram pelas janelas ornamentadas da capela.

Seus cabelos castanho-claros estão elegantemente presos em um coque, adornado com fitas brancas que cintilam a cada movimento. Mas é quando seus olhos verdes, de um tom profundo e misterioso como as águas do Egeu, se encontram com os meus que me sinto realmente tocado. Há uma aura de pureza e encanto que me deixa sem fôlego, uma inocência que contrasta violentamente com o cinismo que me habita. Meu coração, que eu pensava estar blindado contra qualquer emoção mais profunda, acelera em um ritmo descompassado, um tambor frenético que ecoa em meus ouvidos.

Talvez não seja uma surpresa, afinal, sempre estive acostumado a lidar com mulheres da vida, com a crueza e a superficialidade das relações sem compromisso. Prostitutas, amantes passageiras, todas elas parte de um mundo onde as emoções eram negociáveis e os sentimentos, uma moeda de troca. Nunca havia experimentado o contato com alguém que emane tamanha inocência, uma fragilidade que me desarma e me perturba. E agora, essa mulher, essa menina, será minha esposa. É nesse momento, sob o olhar atento de dezenas de convidados e o peso das expectativas familiares, que percebo a profundidade da nova vida que estou prestes a abraçar, uma vida que eu não escolhi, mas que me foi imposta pelo destino e pela culpa.

À medida que ela avança pelo corredor da capela, cada passo parece ecoar no ritmo acelerado do meu coração, despertando emoções que eu nunca imaginei que poderiam habitar em mim. É uma mistura estranha de admiração, responsabilidade e um desejo latente que me assusta. Apesar da minha determinação de manter uma distância física no início, de protegê-la e a mim mesmo da complexidade dessa união, algo dentro de mim começa a ceder diante da beleza radiante e da vulnerabilidade evidente daquela garota. Ela é tão jovem, tão pura, e eu sou um homem marcado, com vinte e cinco anos e uma bagagem que ela mal pode imaginar. A culpa me corrói, mas a atração é inegável.

Quando ela para perto de mim, a poucos centímetros de distância, e nossos olhares se cruzam novamente, algo dentro de mim se agita com uma força avassaladora. É como se uma faísca antes inexistente esteja sendo repentinamente acesa, desafiando a calmaria que eu costumava manter, a indiferença que eu cultivava como um escudo. No entanto, eu luto contra essa sensação, tentando afogá-la no oceano da minha própria indecisão, no mar de responsabilidades que agora me cercam. A ideia de amor verdadeiro, de destinos entrelaçados, parece estranha e assustadora para alguém como eu, acostumado a manter as emoções à distância, a viver em um mundo de transações e acordos. Mas o que sinto agora é algo diferente, algo que transcende a lógica e a razão.

A troca de votos sob o céu azul da Grécia, com o mar cintilando ao longe, traz consigo uma intensidade emocional desconhecida. Cada palavra que pronuncio, cada promessa que faço, ecoa com um peso que eu não esperava. Parece que o universo conspira para unir nossos destinos de uma forma que eu não posso ignorar, uma teia invisível que nos prende um ao outro. Sinto o olhar dos convidados sobre nós, a expectativa em seus rostos, e a necessidade de manter as aparências se torna quase insuportável. Mas, por trás da fachada de um casamento perfeito, uma batalha interna se desenrola em meu peito.

À medida que a cerimônia avança e os convidados celebram ao som da música grega, eu me vejo incapaz de desviar o olhar dela. Meus olhos são atraídos para ela como um ímã, observando cada movimento, cada expressão em seu rosto. No entanto, uma sensação de desconforto se instala em meu peito por ela ter apenas dezoito anos. A diferença de idade, a inocência que ela exala, tudo isso me faz temer parecer inapropriado, um predador. Me esforço para não olhá-la tanto quanto desejo, para não trair a tempestade de emoções que se agita dentro de mim. Tento manter uma distância respeitosa, uma barreira invisível que nos separa, mas que a cada minuto parece mais frágil.

Essa batalha interna entre o desejo e a responsabilidade, o certo e o errado, torna-se um bloqueio que começa a obscurecer a beleza do momento. Eu me sinto dividido, dilacerado entre o que a sociedade espera de mim, o que meu tio exige, e o que meu próprio coração, de forma inesperada, começa a sussurrar. A complexidade dessa união é avassaladora, e eu me pergunto se algum dia serei capaz de desvendar os mistérios dessa mulher que agora é minha esposa.

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