Mundo de ficçãoIniciar sessão**Átila**
Acordo com uma dor surda e persistente irradiando pelo meu corpo, um lembrete físico e humilhante da noite anterior. Minha cabeça pesa, latejando com o cansaço de uma noite mal dormida, interrompida por pensamentos que eu não conseguia silenciar. A luz do sol da Grécia, implacável e brilhante, invade o quarto pelas frestas, iluminando a poeira que dança no ar. Abro os olhos e fico encarando o teto por longos minutos, tentando processar, peça por peça, o desastre que foi a minha noite de núpcias. A raiva ainda pulsa em algum lugar profundo dentro de mim, uma brasa que se recusa a apagar, misturada com uma frustração amarga que trava minha garganta. Sasha tem uma habilidade impressionante, quase cirúrgica, de me desestabilizar com apenas um olhar ou um golpe bem dado, e isso me irrita mais do que eu gostaria de admitir.
Sento-me na cama com um gemido contido, passando as mãos pelo rosto em um esforço para clarear a mente e afastar as sombras do sono. Preciso recuperar o meu centro. Preciso manter o foco no que realmente importa. Leo precisa de uma família estável, de um lar que não seja feito de gritos e ressentimentos, e isso significa que Sasha e eu temos que encontrar, de alguma forma milagrosa, uma maneira de conviver sob este teto, apesar de todo o ódio que ela destila. Levanto-me da cama, e cada movimento que faço serve para me lembrar da intensidade do confronto de ontem e da força surpreendente daquela garota.
Caminho até o closet e escolho uma camisa social de algodão egípcio, perfeitamente passada, e uma calça de alfaiataria de corte impecável. Visto-me com uma lentidão deliberada, como se estivesse colocando uma armadura para a batalha. O traje formal, o nó da gravata, o ajuste dos punhos... tudo isso me devolve uma sensação de controle e autoridade que eu sinto que perdi no momento em que ela me acertou. Preciso dessa máscara de magnata inabalável para enfrentar o dia, e principalmente, para enfrentá-la.
Enquanto termino de me arrumar, o silêncio da casa é quebrado por sons sutis vindos da cozinha. O tilintar de uma colher, o som da água correndo. Sasha já está acordada e ativa. Sinto um aperto no peito, uma mistura de antecipação e cautela. Tomo um momento para respirar fundo, fechando os olhos e contando até dez, antes de sair do meu quarto e me dirigir para o corredor.
Caminho com passos firmes, mas silenciosos, sentindo a tensão aumentar a cada metro que me aproxima da cozinha. Sei que o encontro de hoje definirá o tom da nossa convivência daqui para frente. Não posso deixar que ela perceba o quanto ela me afetou. Entro no ambiente com a cabeça erguida, pronto para o primeiro embate da manhã, esperando que o café seja forte o suficiente para aguentar o que vem a seguir. A guerra fria está apenas começando.







