O Convite para o Abismo

Sasha

A festa de casamento é deslumbrante, um espetáculo de cores vibrantes e sons estridentes que fazem meu coração bater em um ritmo descompassado, quase doloroso. As mesas estão cobertas com cascatas de flores frescas, cujo perfume doce se mistura ao cheiro de uzo e comida temperada, e a música tradicional grega ecoa pelo salão imenso, como um chamado ancestral que convida todos a se perderem na dança. Estou cercada por uma multidão de rostos que mal conheço, pessoas que sorriem para mim com uma falsidade polida, mas meu olhar, traindo minha própria vontade, sempre retorna a ele – Átila.

Theós! É uma tarefa hercúlea não olhar para ele. Sinto-me como uma mariposa patética, irremediavelmente atraída pela luz de uma chama que sei que pode me consumir. Ele se destaca na multidão, não apenas pela altura, mas por uma aura de mistério e perigo que o envolve como uma segunda pele.

Quando finalmente chega o momento inevitável de dançarmos, sinto uma mistura explosiva de excitação e um nervosismo que gela a ponta dos meus dedos. Átila se aproxima com uma elegância predatória, estendendo a mão para mim em um convite que soa como uma ordem silenciosa. Aceito, sentindo o peso da minha decisão, e ele me conduz com passos firmes ao centro do salão, onde todos os olhos parecem se voltar para nós. O toque de sua mão na minha é firme, quente, e sinto um estremecimento elétrico percorrer todo o meu corpo, partindo do ponto de contato e subindo pelos meus braços. Ao nos posicionarmos para a dança, ele coloca uma mão em minha cintura, puxando-me com uma suavidade firme para mais perto, até que o espaço entre nós se torne quase inexistente.

Seu rosto desce ligeiramente, ficando perigosamente próximo ao meu, e eu me vejo reparando, com uma minúcia que me assusta, em cada detalhe. Seus olhos são de um cinza tempestuoso, profundos e enigmáticos, emoldurados por cabelos negros como o carvão mais puro. Uma franja sexy, propositalmente desfiada, cobre parcialmente suas sobrancelhas negras e bem desenhadas, dando-lhe um ar rebelde e sofisticado ao mesmo tempo. O homem é a personificação de uma perfeição cruel, e sua voz, quando ele murmura algo ininteligível, é grave e aveludada — um convite sedutor para um abismo infernal no qual jurei a mim mesma que não iria me lançar.

Alguém tão belo e magnético deve ter uma vida de excessos. Imagino que sua cama seja um lugar bem movimentado, que as mulheres se lancem aos seus pés implorando por um pouco de sua atenção, e eu não quero ser apenas mais uma na sua coleção de conquistas. Sua beleza me domina com tanta intensidade que, por um segundo, sinto-me insignificante, uma intrusa em seu mundo de luxo e sombras.

A música começa a subir de tom, e nossos corpos, de forma quase mágica, se movem em uma sincronia perfeita, como se tivéssemos dançado juntos por vidas inteiras. O cheiro dele me envolve completamente — uma mistura inebriante de uma colônia cara e algo mais primitivo, terroso, que me deixa entorpecida, como se eu estivesse sob o efeito de uma droga potente. Cada passo, cada movimento coordenado parece carregar uma eletricidade palpável, uma tensão que faz os pelos do meu corpo se arrepiarem.

Nossos olhares se encontram de vez em quando, e eu sinto uma conexão que vai muito além das palavras ou do contrato que assinamos. É como se, por um breve e perigoso momento, todas as barreiras defensivas que construí ao redor do meu coração começassem a sofrer fissuras, ameaçando desmoronar. A intensidade de seus olhos cinzentos me hipnotiza, drenando minha força de vontade, e a proximidade de nossos corpos faz meu coração bater de forma descompassada contra o peito.

Enquanto dançamos, a tensão sexual entre nós aumenta até se tornar quase insuportável. Sinto seu calor emanando através do tecido fino do meu vestido, a firmeza de seu toque em minhas costas, e luto com todas as minhas forças para manter minha promessa de não me entregar a ele. Mas é difícil. É agonizantemente difícil. Cada movimento de seu corpo contra o meu faz com que a realidade barulhenta ao nosso redor desapareça, deixando apenas a sensação visceral de estarmos completamente conectados, dois estranhos unidos por um destino trágico e uma atração proibida.

Oh Theós, eu preciso ser forte! Repito isso para mim mesma como um mantra. Essa família não presta. Eles destruíram a Elena. Com certeza esse homem é apenas um demônio sedutor enviado para me fazer esquecer a minha missão.

Quando a música finalmente termina, estou sem fôlego, meus pulmões lutando para encontrar ar em um salão que parece ter ficado pequeno demais. Átila me solta com uma delicadeza que me surpreende, mas o impacto do que acabamos de compartilhar permanece vibrando em meu sangue. Ele sorri, um sorriso raro e fugaz — ele não é de sorrir muito, percebo, mas quando o faz, parece algo genuíno, que ilumina seu rosto severo — e sinto uma chama de esperança idiota acender dentro de mim.

Talvez, apenas talvez, haja uma chance real para nós além do papel.

Não! Sacudo a cabeça internamente para afastar o pensamento. Não pense assim, Sasha! Lembre-se da família a que ele pertence. Com certeza, todos são farinha do mesmo saco, criados na mesma escola de manipulação. Ícaro e Petros já me mostraram seus lados sombrios, e Átila é apenas o próximo na linhagem.

— Leo ficará com sua mãe e seu pai no hotel até amanhã à noite — ele me surpreende dizendo, sua voz quebrando o silêncio tenso entre nós. É a primeira vez que ele realmente dirige a palavra para mim de forma direta, sem intermediários.

— É, eu sei... — respondo, tentando a todo custo ocultar a mistura de emoções que me domina ao ouvir o timbre profundo de sua voz. Meu coração dá um salto, mas eu o forço a se acalmar. — É que eles imaginam que teremos algo, uma noite de núpcias real... mal sabem eles que você não me tocará esta noite... e nem em noite nenhuma.

Digo as palavras com toda a firmeza que consigo reunir, embora por dentro eu esteja tremendo. Afasto-me dele abruptamente, sentindo a necessidade física de criar distância, e sigo em direção à mesa de bebidas. Enquanto caminho com passos decididos, sinto o peso do olhar dele queimando em minhas costas, uma presença que não me deixa mesmo quando não estou olhando.

Preciso ser forte. Por Leo, pela Elena e por mim mesma. Não posso ser mais uma vítima do charme dos Lykaios.

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